O lugar dos perdidos
Não sei como cheguei até aqui. Talvez descalço, a pisar os gomos da terra e a saborear o trago da chuva. Talvez estejas perdido. Num lugar onde tombam os meus braços e desaguam as minhas mãos sem, no entanto, ter dedos que te alcancem. Sem ti fico manco, a viver no doce engano, desejando que sejas par para mim. Ando num solavanco, cambaleante, sem rumo e sem dó. Como se sozinho, no orgulho ferido, fosse exaltação da coragem por exibir-me tão confiante, elevando o pé gracioso. Descalcei-me, simplesmente porque era de noite e, na escuridão, perdi-te o rasto. Não dormi. Subi até ao tornozelo só para buscar a tua sombra e, sabes? Nem isso encontrei. E antes que a meia luz nos cingisse o tacão, agarrei-me ao que havia de ti… a lembrança de seres igual a mim, como são as almas gémeas. E só para aplacar a saudade, fui ao espelho buscar-te as semelhanças. Não resultou. Porque tu, só tu… para trazer flores ao chão que pisas e cor ao corpo em que te ergues. E quanto mais olho para o...