O AMOR INVENTADO
Amar é quando já não estamos sós. Somos dois, mesmo que o outro não saiba. Quando nos tornamos largos e profundos. E falamos com o vazio. E rimos para o nada. E o perfeito é regra. O luar é secreto e interminável. De mãos dadas, passeamos sozinhos junto ao mar. A minha mão na tua, mil vezes o momento entressonhado. Os teus lábios a desfiar pétalas aveludadas que vêm cair, levemente, no meu peito despido. Amo-te da janela dos meus olhos. Oh… quanto mistério. A inundar-me de dentro para fora. A embriagar os meus sentidos. A toldar-me o sonho em miragem. A deleitar-se com a ingenuidade deste outono que ainda agora se inicia. Para ti acrescentei um dia ao tempo. Teci as horas por extenso. Para te amar para além da ausência. Pois só assim se amam os eternos. E em dias demorados, fecho os olhos para te ver. Amo-te da porta da minha boca, por onde entra a luz do sol, tão pura, a inundar o pudor dos afortunados. Ah… pudesse eu não ter limites. Nem vergonha a cingir os meus gest...