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A mostrar mensagens de fevereiro, 2023

ESTÓRIA DA NOITE

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  Já a noite se dilata no universo. Opulenta, enche-se de estrelas, alteia-se e cresce em tamanho. Fixo o olhar no abismo escuro. O sono tarda. O pensamento irrequieto desliza pelas lembranças. É sempre nesta hora tardia que me visita. Leva-me para longínquas paragens. Cerro os olhos. Recolho a inquietude. A noite ri dos meus esforços. O desassossego apodera-se com impiedosa robustez. E eu desisto. Lanço um suspiro pelo ar. A noite apodera-se tão firme, que sou obrigada a escutá-la. Tem um modo tão singular de nos roubar a atenção. Vem, a murmurar de mansinho, ruminar a horas tortas as abóbadas deste sótão vazio. Bebo, como louca, as pérolas que a noite traz. Invade-me a tua imagem poética. A minha alma embriagada alucina. Arde nos meus olhos a chama de uma eterna paixão interrompida. O fulgor das faces rosadas. As palpitações assimétricas do teu colo acetinado. Acende-se, de novo, a candente brasa a reluzir na pupila. Encosto-me carinhosamente ao teu peito. Oh… essa encost...

HARMONIA DO INVERNO

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  A nota predominante desta alma é a ingenuidade. Não há ali o tumultuar da imperfeição sonora, nem o aroma bizarro da imponência. Ela surge elegante, com um semblante tão singelo que transborda nas suas maneiras, como a gentileza no seu olhar. Sem a sumptuosidade dos egos régios, vive a sua vida sem alardes. Esquecida, até, no meio da multidão ávida por atenções. Onde perpassa a altivez de uma suprema figura presunçosa, ela desvia-se, para dar espaço à exposição, enquanto desce, tranquilamente, o seu olhar para a doçura da paisagem. Tem o gosto simples dos dias. E entretém-se entre a gratidão por um raio de sol a invadir o seu rosto e um passeio pelo terraço apinhado de cânticos diversos e entoados pelos tenores mais afinados. A sua ópera a céu aberto. Em noites de espetáculo, deixa-se arrebatar pela magnificência dos lustres, compostos por infinitas pequenas partículas de cristal. Verdadeiras cintilações fuzilando o crepúsculo transparente e distante. Sem esse encanto, se...

O INFINITO

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  Para sempre… prometido naquele infinito cruzado a esferográfica fina.   Um carimbo de fogo em cada página da nossa história. Não me lembro bem como, nem porquê. Talvez fosse o enrolar inocente dos fios do meu cabelo que fizeram arder na tua boca a minha face. Ou a candura dos meus gestos que se revelara cisne nas águas transparentes do teu peito. Sei, tão unicamente, que a tua voz é melodia desde que articulaste o meu nome pela primeira vez: amor. E a extensão das tuas palavras ainda faz eco quando me deito. Quando encosto o rosto à fina camada de seda. Quando os meus olhos se fecham para a viagem macia das tuas mãos. Quando, a medo, os meus lábios resvalam para a tua cintura. E é como se o tempo, que lá fora urge, fosse a quietude cúmplice da íntima vida. Era disto que falavas? Do encontro ao crepúsculo, quando a tua cor me fugisse pelos dedos? Se os nossos pés trocassem os caminhos, enredando pelo azo da nostalgia? É o teu infinito, cruzado a esferográfica fina… mági...