ESTÓRIA DA NOITE
Já a noite se dilata no universo. Opulenta, enche-se de estrelas, alteia-se e cresce em tamanho. Fixo o olhar no abismo escuro. O sono tarda. O pensamento irrequieto desliza pelas lembranças. É sempre nesta hora tardia que me visita. Leva-me para longínquas paragens. Cerro os olhos. Recolho a inquietude. A noite ri dos meus esforços. O desassossego apodera-se com impiedosa robustez. E eu desisto. Lanço um suspiro pelo ar. A noite apodera-se tão firme, que sou obrigada a escutá-la. Tem um modo tão singular de nos roubar a atenção. Vem, a murmurar de mansinho, ruminar a horas tortas as abóbadas deste sótão vazio. Bebo, como louca, as pérolas que a noite traz. Invade-me a tua imagem poética. A minha alma embriagada alucina. Arde nos meus olhos a chama de uma eterna paixão interrompida. O fulgor das faces rosadas. As palpitações assimétricas do teu colo acetinado. Acende-se, de novo, a candente brasa a reluzir na pupila. Encosto-me carinhosamente ao teu peito. Oh… essa encost...