O INFINITO

 

Para sempre… prometido naquele infinito cruzado a esferográfica fina. 
Um carimbo de fogo em cada página da nossa história.

Não me lembro bem como, nem porquê. Talvez fosse o enrolar inocente dos fios do meu cabelo que fizeram arder na tua boca a minha face. Ou a candura dos meus gestos que se revelara cisne nas águas transparentes do teu peito. Sei, tão unicamente, que a tua voz é melodia desde que articulaste o meu nome pela primeira vez: amor.

E a extensão das tuas palavras ainda faz eco quando me deito. Quando encosto o rosto à fina camada de seda. Quando os meus olhos se fecham para a viagem macia das tuas mãos. Quando, a medo, os meus lábios resvalam para a tua cintura. E é como se o tempo, que lá fora urge, fosse a quietude cúmplice da íntima vida. Era disto que falavas? Do encontro ao crepúsculo, quando a tua cor me fugisse pelos dedos? Se os nossos pés trocassem os caminhos, enredando pelo azo da nostalgia? É o teu infinito, cruzado a esferográfica fina… mágica, que dilata as horas a nosso favor. 

 Faz-se tarde no resto da nossa vida toda.

Como o entardecer da nossa memória. Em que, de mãos dadas, voltávamos para casa ansiosos por novos dias até chegar a um beijo. E como foram extensos. Quantas vezes desmaiou o sol e voltou a erguer-se até a paciência se perder nos meus lábios e roubar-me o orvalho? Foram os dias que herdamos como saudade. Agora resta o infinito. Esse espaço vazio e negro, repleto de estrelas, como casa desabitada carregada de lembranças. Resta-nos o lugar onde se unem os nossos sonhos e onde o meu corpo se deita no teu para amar uma só vida.
 
Faz-se tarde amor…
E tu, que andas tão longe, destinaste a minha profunda solidão. 
 
Liliana Mesquita Machado

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