O INFINITO
Não me lembro bem como, nem porquê. Talvez fosse o enrolar inocente dos fios do meu cabelo que fizeram arder na tua boca a minha face. Ou a candura dos meus gestos que se revelara cisne nas águas transparentes do teu peito. Sei, tão unicamente, que a tua voz é melodia desde que articulaste o meu nome pela primeira vez: amor.
E a extensão das tuas palavras ainda faz eco quando me deito. Quando encosto o rosto à fina camada de seda. Quando os meus olhos se fecham para a viagem macia das tuas mãos. Quando, a medo, os meus lábios resvalam para a tua cintura. E é como se o tempo, que lá fora urge, fosse a quietude cúmplice da íntima vida. Era disto que falavas? Do encontro ao crepúsculo, quando a tua cor me fugisse pelos dedos? Se os nossos pés trocassem os caminhos, enredando pelo azo da nostalgia? É o teu infinito, cruzado a esferográfica fina… mágica, que dilata as horas a nosso favor.
Faz-se tarde no resto da nossa vida toda.

Comentários
Enviar um comentário