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A CORAGEM DOS VALENTES

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A vida, às vezes, pede-te uma dose de coragem extra. Só para que saibas que és rio e nascente. Que tens a força das correntes. Que és pureza a fluir em direção ao mar. E, de forma abrupta, desperta-te para a grandeza da vida. Chama-te ao recolhimento, impele a olhar para dentro, só para que possas descobrir que és mais do que matéria. És transcendência. És lugar. És casa e amor. E, às vezes, é preciso um sismo para abrir o coração, para abalar a estrutura da vida e trazer à lembrança o propósito: tu! Tu és o teu propósito. Volta a ti e à tua origem. À alegria das coisas simples.   A vida, às vezes, pede-te uma dose de coragem invisível. Aquela que nasce sem sabermos como. Que está escondida nas profundezas da nossa alma. Que, perante o abismo, surge em força. Resgata-nos. Mostra o caminho. Obriga-nos a colocar os olhos no presente e no futuro. A reinventar a forma de estar no mundo. E nasce, como luz, a vontade de viver. De fintar o fim. Abrir a lista das coisas a fazer e r...

AMOR, É TARDE

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  Amor, é tarde. E já vai extensa esta vertigem. Parece que o tempo já foi outra vida, uma em que as nossas mãos entrelaçadas tinham pele lisa como a dos pêssegos. Foi tão longe que recordo de ti apenas o sorriso de criança, com luz imatura a sair da boca. Nem sei como será agora o tom da tua palavra. Se o timbre treme, ainda, perante a minha presença. Se escondes o olhar por entre as montanhas. Porque o que vejo, pela cortina dos meus olhos, é o teu passo apressado na calçada. Ansioso. Urgente. Com a premência do encontro. E, de novo, os sorrisos puros que rasgavam as maçãs do rosto. Amor, é tarde. E já vai longa esta ausência. Às vezes penso se não te sonhei. Se não foste uma invenção da promessa. Se te criei na aventura desmedida. Se existimos, de fato, naquele tempo em que os amores nascem sem permissão. Se caminhamos lado a lado com a vontade de fazê-lo até ao fim. E vens trazer-me à memória os beijos de lábios frescos como o orvalho. Eram beijos furtivos. Roubad...

AS ROSAS

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  Observo as coisas abandonadas. Algumas inanimadas, sem sopro de vida. E, ainda assim, sinto-lhes a dor do abandono. Uma estranha sensação de tristeza por já terem sido luz antes da escuridão. Por saber que já tiveram a sua utilidade e foram descartadas. Algumas adornaram mesas, outras alimentaram sensações temporárias. Foram de serventia e até objeto de felicidade, de tanto que foram desejadas. Extinta a curiosidade e a novidade, sempre tão fugazes, atira-se para longe da vista e acabam, desoladas, num caixote onde se amontoam outros objetos semelhantes e, imagino, que entre eles troquem empatia e experiências de tempos gloriosos em que foram tão desejados ao ponto do sacrifício financeiro.   E dá-se a estupidez da vontade de trazer glória ao descartável. No outro dia, embrulhada na angústia de saber o destino das rosas que me ofereceram, tão belas e vibrantes, adiei-lhes a morte o mais possível. Saibam disto: se no vosso coração mora a vontade de me agradar, não me ...

ASAS NO CORAÇÃO

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  Um abraço é um refrão animado. Com sol sustenido a entoar melodia num rosto, tantas vezes, desanimado. Os olhos voltam-se para o céu, enquanto a gratidão se volta para dentro. É luz que se desenha na imensidão azul. E custa tão pouco ou nada. Simplesmente, entrelaçar os braços, de peito aberto, num corpo dormente e entristecido. E, nesse momento, douramos as horas gastas de alguém. É preciso estar atento. Apontar o olhar a quem passa de cabeça enfiada ao chão. Não uses as palavras. Alonga os braços e convida a entrar em teu colo. Mostra-lhe que tem onde pousar a dor. Um abraço de Deus. Vem na pureza de um sorriso. É a gratidão em forma física. É a bondade em retorno. São as mãos da vida a tocar os teus cabelos. Os beijos repartidos pela tua face. O gesto simples de quem te quer bem. Um presente inesperado de quem nem sabe que o dia é teu. Não é preciso muito mais. A vida é extraordinária quando o amor é o centro. Somos todos a mesma matéria e partilhamos um só coração. ...