METAMORFOSE DE UM CONDENADO
Nascemos condenados. Mas vivemos como se não o soubéssemos. Afinal, que graça tem a vida sem os filtros a limpar imperfeições. Mais vale cobrir essa nudez. Maquilhar a tristeza. Dar cor ao desânimo. Vestir de elegância as lágrimas. E sair para o mundo com outra identidade. Construir a narrativa. Criar a personagem e vender a exuberância da vida. E, fingindo não saber, sorri até que os teus lábios não conheçam outra forma. Dança até que os teus pés não conheçam outros passos. E permanece na aparência. E, cansada de fingir, segues vacilante na estrada que se desenha a teus pés. Exausta pelo peso tomado nos ombros. Perplexa com o que os teus olhos vêm à luz da verdade: uma pedra a desejar ser flor. Nascemos condenados. Mas não temos de viver como se não o soubéssemos. A vida é a oportunidade para te libertares da sentença. Cumpre com rigor a tua verdade. Espalha a fragrância da virtude sem o medo da rejeição. Tu não estás só neste caminho. Olha! Vê quantos condenados seguem...