MAPA DO TESOURO

 

É difícil encontrar-te.

Não sei se existes, sequer. Fui deixada nesta ilha, nua e desabitada. Confesso, chorei à chegada. Entretanto, percorri os instantes; aprendi a matéria e o idioma, e a minha voz tornou-se madura. E sempre à tua procura. Pudesse eu ter um mapa que desvendasse este mistério. Não te conheço as feições nem os gestos, mas sei de cor o teu sabor. Perdoa-me se nada sei sobre a arte do encontro. Se me demoro na paisagem e atraso a minha chegada. Nem sei se me esperas, ainda! Prometo dar-me inteira ao tempo, percorrer o fulgor da lua cheia e descansar, apenas, quando despontar o teu sorriso ao entardecer.

Estranha vontade, procurar-te.

Como se fosses o princípio e o fim. Infiltrado no meu ser, enraizado na minha alma, exilado no meu coração. Como se a razão do encontro valesse a viagem. Deixa-me mostrar-te a primavera, o chão e as estrelas. Diz-me como se pronuncia o teu nome e ensina-me a chamar por ti. Não fiques em silêncio. Deixa marcas por onde passas, para que eu possa seguir-te os passos. Grava o sinal da tua voz em cada pedra, para que eu saiba o caminho certo. Solta ao vento os teus traços, para que eu identifique a geografia do teu rosto. E permanece no lugar onde és feliz, para que eu possa encontrar-te.

Aguarda-me, sem demora.

Que eu atravesso o oceano e o deserto como bala de canhão. Disparada num sentido, até chegar ao fim e explodir no teu coração. Pois não conheço outro rumo, nem anseio outro destino. Só me pertenço nesse lugar que é abraço. No sossego da paisagem que é colo. Na abundância das marés que é sorriso. Nesse leito que me acolhe com um beijo apaixonado.

E, por fim, eis-me aqui.

Pronunciando o teu nome.
A chamar por ti!
 
Liliana Mesquita Machado

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