Purgatório este?
Na ponta do chicote da vida ora colocamos Deus, ora o diabo. No banco dos réus sentamos um e outro, prontos a julgamento como culpados das cicatrizes que a nossa alma encerra. Feridas abertas, marcas do nosso lamento, provas da nossa desgraça medíocre. E no alto do nosso drama… Oh Deus que me abandonaste. Oh diabo que me tentaste. Nós? Nós somos isentos de culpa. Puros anjos injustiçados pela ira divina: ou a do altíssimo ou a das profundezas. Nós não temos vontade. Somos marionetas movidas a dedos que, engenhosamente, articulam um e outro ato só com o propósito de nos conduzir ao mau fado. E… num vasto universo, existe apenas o nosso ego a ecoar para lá das estrelas, num latejar de lamento profundo, a cobrar a Deus porque nos deve e a gritar para o útero da terra, aquele lamaçal de lava a borbulhar pelo nosso pecado, exigindo ao diabo culpas pela indução. Pois nunca a nossa alma foi curiosa por si só para se atracar a um bom pecado e tomar o gosto a...