A VIAGEM
Entrei pela porta grande. Talvez enfeitiçada pela música de caixa, daquelas que se abre e salta uma melodia que nos acalma e adormece. Talvez estivesse à procura de quietude para a alma. Não sei. O encantamento entrou pela aresta dos olhos, como se a menina em mim ousasse viver a aventura que se demora. Recordo que, quando tinha três anos, o meu pai resgatou-me do alto daquela girafa, como um prodigioso militar que empresta o colo à proteção divina. Já não me recordo o que causou temor ao meu peito, mas creio que ao ensejo tudo o que é novo assusta. Encorajada pela valentia da idade, ainda que trémula, resolvi enfrentar o abismo que a inocência fez emergir. E o burburinho enlaçado nos sorrisos de felicidade; o cheiro a churros acabados de fazer; o deslumbramento das luzes, como estrelas no céu a dourar o meu destino; fizeram-me saltar para o carrossel poético, animado pelo movimento circular. Ah… Quem me dera acontecer um encontro de cinema! O amor mon...