Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Romance

AMOR, É TARDE

Imagem
  Amor, é tarde. E já vai extensa esta vertigem. Parece que o tempo já foi outra vida, uma em que as nossas mãos entrelaçadas tinham pele lisa como a dos pêssegos. Foi tão longe que recordo de ti apenas o sorriso de criança, com luz imatura a sair da boca. Nem sei como será agora o tom da tua palavra. Se o timbre treme, ainda, perante a minha presença. Se escondes o olhar por entre as montanhas. Porque o que vejo, pela cortina dos meus olhos, é o teu passo apressado na calçada. Ansioso. Urgente. Com a premência do encontro. E, de novo, os sorrisos puros que rasgavam as maçãs do rosto. Amor, é tarde. E já vai longa esta ausência. Às vezes penso se não te sonhei. Se não foste uma invenção da promessa. Se te criei na aventura desmedida. Se existimos, de fato, naquele tempo em que os amores nascem sem permissão. Se caminhamos lado a lado com a vontade de fazê-lo até ao fim. E vens trazer-me à memória os beijos de lábios frescos como o orvalho. Eram beijos furtivos. Roubad...

A VIAGEM ÉPICA

Imagem
  É épica a viagem, amor. Embalam-se as tardes para que a demora não seja tanta e, às tantas, já nos perdemos no caminho das horas. Olhamos o horizonte estendido no verbo do passado e constatamos quão longo tem sido o percurso. E, nesse entretanto, quantas vezes rimos e choramos entrelaçados no pensamento dos dias leves. Dos dias em que os beijos eram promessas divinas. Em que as mãos se encostavam, levemente, ruborizando os rostos estremecidos pelo bater de asas. Em que os nossos olhos se cruzavam entre a multidão e o coração esboçava o sorriso dos tolos. Acreditando que o destino seguiria a nosso favor. Mas é épica a viagem, amor. Seguimos em contramão, equivocados do nosso destino. Cada um para lados opostos, sem temer que a distância fosse constante. Inconscientes de que as montanhas não se movem, nem os rios param. Arriscamos o todo. Conquistamos o vazio. Com as palavras a rebentar pelas costuras. E, agora, em vez de fazerem casa em teu peito, têm morada em parte ince...

FIO DAS EMOÇÕES

Imagem
  Contigo aprendi a rir entre dois bocejos. A dar asas à imaginação perante um discurso insosso com meia dúzia de palavras medíocres. A sonhar em tempos ásperos, nas tardes frias e negras, em que a luz triste, coada por vidros sujos, nega a afeição. A dar lume a fogueiras frouxas onde já nada arde com paixão. A ser exaltação diante de rostos com ar de enfado. A mostrar encantamento entre três gracejos descabidos. A viver no outro lado da moeda, num plano invertido, quando me é negada a alegria. A contrariar o ruído dos infelizes. A subtrair o medo até dar zero. A ousar ser muito além do que os olhos vislumbram.     Contigo aprendi o amor entre dois laços. Um longo fio à volta do corpo. Sem princípio. Sem fim. Sem rasto. A existir, por si só, e na força invisível do abraço. Das mãos que se cruzam no anonimato. Dos olhares que se fixam na multidão. Dos lábios que se extinguem no silêncio. Aprendi que o amor é um fio de espuma que nunca se separa do mar. Permanece,...