NA RUA DO UNIVERSO
O céu coberto de estrelas.
Quando
uma se destaca, traz-me o teu nome à lembrança. Pulsa, então, a memória da
infância e os laços que traçamos de uma só lufada. Era a pressa de viver os
dias puros, construir uma história de instantes felizes e entregar a Deus a
nossa jornada antes da partida. E o tempo tornou-se ainda mais longo na tua
ausência. Já não há tardes de frutas maduras para o lanche. Nem açúcar para
acalmar o choro de criança que, dentro do peito, ainda soluça. Foram-se os dias
de verão a perder de vista. A espera. O abraço a saudar a chegada. As palavras
gastas pela noite dentro e embaladas pela ânsia de encurtar a distância.
A tua face é agora luz.
A
transparência que surge do silêncio. E eu escuto o teu brilho a dar conta da viagem.
A falar-me das outras estrelas. Das constelações que, vigilantes, me acompanham
até à madrugada. Da transcendência do amor que vence o espaço entre nós. E eu
agarro-me à ausência para atravessar o deserto até à hora do encontro. E
suporto o nevoeiro. A noite e a amargura. Que os dias são extensos nessa rua do
universo. Nada morre ou se extingue. É o tempo que te dás que te concede a
eternidade. Vives enquanto fores lembrança de um dia feliz. Enquanto fores um
rasgo de história que se conta aos demais.
O teu nome é já oração.
Nas
noites em que Deus me vem abençoar. Peço que me escute na quietude da noite. Expresso-me
em confidência que és Dele para cuidar. Que és grande como o sol. Que és suave
como o vento. Que és gentil como o orvalho. Que és puro como a água. Que
magoa-me a saudade. Dói-me o instante da lembrança. Mas sei-te perto de mim a
cada passo.
Breves foram os dias entre nós.
Tão
breves que a nostalgia quer roubar!
Liliana Mesquita Machado

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