ALMA CHEIA
Sabes o que é simplicidade?
Beleza sem vestígio de ruído. É trazer flores no cabelo sem que adornem cada fio. É ter os lábios rosados, porque foi de amoras uma tarde de verão. É estar com a face corada pelas longas horas de exaltação. É deixar-se arrebatar pelos instantes. É ser fragrância sem ter gasto uma gota de mar. E trazes na pele os elementos conjugados. És terra e ar. Fogo e água… Todos e cada um a desenhar o teu perfil. Tens o mundo na ponta dos dedos. O sorriso no peito. A liberdade para ser extensa e única. E quanto mais és, mais te dás. Porque te sentes. És a emoção à flor dos olhos.
A
beleza é nada mais do que um sentido percecionado pelo coração de quem te olha.
E é preciso ter uma sensibilidade refinada para te apreciar devagar e com
valor. Para reconhecer que, na tua imperfeição, mora uma beleza cativante. Uma
graciosidade desfolhada ao luar. Um mistério doce, despido e inexplicável. Na
dúvida, escuta o teu eco. Ele dirá que não precisas de lantejoulas para
brilhar. Que o teu vestido é de pólen dourado. Que os teus anéis são de astro.
Que os teus pés são de cristal. Que és a forma mais sincera de uma estrela a
compor o universo.
A este estado chama-se viver a simplicidade de alma cheia. É interiorizar o verdadeiro sentido da vida. É estar para o mundo de olhos e coração abertos. A abraçar cada etapa com alegria. A aceitar a nossa imperfeição com leveza e orgulho.
Liliana Mesquita Machado

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