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COMBOIO PARA O INTERIOR

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  Apanhei o comboio para o interior. Viajei, de cabeça à janela, por longa distância. Até que percebi que, apesar da beleza da paisagem, era importante recolher os olhos para dentro. Saudar o sorriso; agradecer a gentileza; enfrentar o medo e, acima de tudo, dar as boas vindas à imperfeição. É a viagem mais longa. A que se faz para dentro. Fui com bagagem de mão. Sem grandes estimas e vaidades. A meio da viagem, nenhuma roupa cabia no meu corpo. Tinha engordado a alma. E já nenhuma combinava com a nova cor dos meus olhos. Nem com a luz dos meus cabelos. Calhou-me a mim, esta viagem. Queria saber onde moram os sonhos. De que é feito o amor. Se há mais céu do que terra. E descobri, nesse entretanto, que a distância era maior do que, sequer, ponderava. Estava tão longe de mim. Uma estranha a quem estendia a mão, volta e meia. Não sabia que, cá dentro, vivem estrelas que cintilam no escuro. Que guiam, como sentinelas, perante o desconhecido. Que trago pétalas nos pés. Que os ...

A ARQUITETURA DA FELICIDADE

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  O mundo vai tentar mudar-te. Desconstruir-te, moldar-te, desenhar de ti uma nova versão. Fecha os olhos. Atribui matemática à substância. Se as contas baterem certo não permitas novas fórmulas. És perfeita, tal como és. Ou não fosse a mão do Criador a mais primorosa de todas. Se fosse para mudar, Deus criava um esboço e não uma obra de arte. Há um propósito em ti. Mantém-te fiel. Podes crescer e evoluir para uma melhor versão, mas sempre de ti mesma. Não te condenes à manada. Destaca-te. Sê genuína. É a diferença que te dá identidade. O teu sorriso é único e sonoro. Não deixes que te silenciem. Os teus olhos são candeias. Não deixes que apaguem a tua luz. És a transparência dos gestos. Os que falam de ti, dirão que és um equívoco. Um erro da natureza. Estranham-se na autenticidade. Têm medo, mas tu não. De ti dirão que és pobre. Que trazes as mãos vazias. O rosto sem máscaras. Que és um desfiar de amarguras. Um esmiuçar de misérias. Que a alegria não pode ter morada na ...