A ARQUITETURA DA FELICIDADE
O mundo vai tentar mudar-te.
Desconstruir-te,
moldar-te, desenhar de ti uma nova versão. Fecha os olhos. Atribui matemática à
substância. Se as contas baterem certo não permitas novas fórmulas. És
perfeita, tal como és. Ou não fosse a mão do Criador a mais primorosa de todas.
Se fosse para mudar, Deus criava um esboço e não uma obra de arte. Há um
propósito em ti. Mantém-te fiel. Podes crescer e evoluir para uma melhor versão, mas sempre de ti mesma. Não
te condenes à manada. Destaca-te. Sê genuína. É a diferença que te dá identidade. O teu
sorriso é único e sonoro. Não deixes que te silenciem. Os teus olhos são candeias.
Não deixes que apaguem a tua luz.
És a transparência dos gestos.
Os
que falam de ti, dirão que és um equívoco. Um erro da natureza. Estranham-se na
autenticidade. Têm medo, mas tu não. De ti dirão que és pobre. Que trazes as
mãos vazias. O rosto sem máscaras. Que és um desfiar de amarguras. Um esmiuçar
de misérias. Que a alegria não pode ter morada na singularidade. É o todo a
promover a dissonante felicidade. A pobreza vive neles. Não deixes que rompam
as tuas asas. Abraça a loucura. Constrói com sabedoria. Aceita o que sentes. Não
sejas um rosto perdido. Sem vacilo. Sem dúvida. Sem resguardo.
O mundo vai tentar apagar-te.
Extinguir-te,
esquecer-te, tornar-te sombra embalada nos dias fugidios. O mistério estremece
os indecisos. Enche de ar os teus pés. Dá-lhes liberdade. Dá eco aos caminhos.
Outros, ao verem os teus sorrisos crescerem nas árvores, vão desviar-se da
estrada comum. Acorda a noite silenciosa. Agita as marés. Baloiça os dias
pasmacentos, que os tempos são de fome. É preciso um dedo destemido que aponte
outro horizonte. Que desacelere o ritmo contundente que impossibilita a contemplação.
Debruça o teu coração e inclina o teu rosto.
Para
que possas admirar a tua imperfeição!
Liliana Mesquita Machado

Mais um texto belíssimo. Parabéns!
ResponderEliminarObrigada. :)
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