MAIS PERTO DE TI
Mais
perto de Ti.
Neste
caminho escarpado e sinuoso. E, quanto mais íngreme, mais pura e genuína se
transforma a minha alma. Maiores se tornam os meus braços, alongam-se as minhas
pernas e ficam extensos os fios dos meus cabelos. Feliz o dia em que me
encontraste. Sentada à Tua porta, com a face prostrada na desordem. Nas mãos trazia
coisa pouca. No coração coisa alguma. Ainda assim, abriste a porta. Estendeste-me
a mão. Ergueste o corpo exausto e alimentaste o espírito faminto. Devolveste-me
à vida. E segui caminho, pela Tua mão, segura de que a esperança é mais do que
julgamos. É seguir caminho, mesma na incerteza do trilho. Mesmo na dor. Até
mesmo perante o terror do solavanco. A esperança não morre, mesmo quando deixamos
de a sentir. É o impulso que inclina os nossos olhos para o topo, perante o abismo
do fim.
Provei
da Tua água.
E
repousei a minha sede no Teu poço. É infinito e cheio de graça. Transborda um
amor líquido que nos corre pelas veias e nos enche de força. E, pela primeira
vez, senti o poder do milagre que é viver. Cravou-se nos meus ossos. Enraizou-se
na minha pele e fixou-se no músculo. Cresci. O medo abandonou os meus pés. E,
pela Tua mão, regressei ao caminho. Já não sigo só. As minhas mãos já não estão
vazias. O meu coração leva o Teu amor a todos os que se cruzam comigo. Para
trás fica um tempo de ausência. De solidão e incerteza. De medo e covardia. A
metade da vida. O horizonte para onde tombam os meus olhos é, agora, a vida
toda. Inteira e por inteiro. Por extenso.
Estava
perdida neste lugar.
Longe
de casa. Já sem voz e com a palavra despida.
Acolheste-me
no Teu colo e mostraste-me a harmonia da manhã.
Gratidão…
à saída dos meus lábios.
Liliana Mesquita Machado

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