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SEDE DE AREIA

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  O vento tocava a pele e ajeitava o cabelo. Era seco e estendia-se pelo horizonte dourado. À sua frente, só as altas montanhas de areia que, em intervalos, se levantava em partículas, como finas cortinas, para tombar, graciosa, mais à frente. A imagem assemelhava-se a uma amante a estender o corpo sedutor ao lado do seu amado. Aos ombros, carregava os vasos de água cheios de sede. Sagrada. Pura. Imprópria para os lábios que se consomem em pecados. Arrastava o corpo embaciado com a moleza das agitações. À volta, só a solidão fazia eco. O calor e a luz levantavam vagas sequiosas e a alma cobria-se das tempestades repentinas. O calor dilatava-se no batimento enfraquecido do músculo. A travessia colocava à prova a existência tépida. Dali sairia ou morria. Tolhida pela superioridade tórrida, deixava-se enganar pelos olhos. A alucinação conduzia ao êxtase que morria logrado na humilhação. Levantava-se e sacudia a areia do manto branco. A falta de mácula era agoiro para a d...