ROSA DOS VENTOS
Ainda dou comigo a ver-te em pensamento. A visitar-te. A ficar à porta do coração, aguardando o teu semblante à janela, só para aquietar a saudade. Perdida. Entre dois mundos. Sem saber qual o propósito da viagem. Que pedras trilhar. E quanto mais perdida entre brumas e arvoredos, mais encontro o sentido para existir. Um sentido que tem o teu nome, com pronúncia de fogo dentro. És a volta completa do horizonte. Representas os quatro sentidos. Os pontos cardeais. Orientas os meus pontos medianos, secundários e principais. És luz no peito a bater feito farol. A traçar a linha que me conduz para norte, sem me desviar do sul, sem criar distância do oeste... Ah… mas confesso que, às vezes, estou a leste, sumida entre as fragilidades do meu pensamento. Mas cada quadrante é um braço teu a puxar-me para um destino, o teu colo, a nossa casa. Ajusto o rumo de acordo com as estações. Quem sabe não me surpreendes ao sol da primavera? Ameno e temperado,...