ROSA DOS VENTOS
Ainda dou comigo a ver-te em pensamento.
Perdida. Entre dois mundos. Sem saber qual o propósito da viagem. Que pedras trilhar. E quanto mais perdida entre brumas e arvoredos, mais encontro o sentido para existir. Um sentido que tem o teu nome, com pronúncia de fogo dentro. És a volta completa do horizonte. Representas os quatro sentidos. Os pontos cardeais. Orientas os meus pontos medianos, secundários e principais. És luz no peito a bater feito farol. A traçar a linha que me conduz para norte, sem me desviar do sul, sem criar distância do oeste... Ah… mas confesso que, às vezes, estou a leste, sumida entre as fragilidades do meu pensamento. Mas cada quadrante é um braço teu a puxar-me para um destino, o teu colo, a nossa casa.
Ajusto o rumo de acordo com as estações.
Quem sabe não me surpreendes ao sol da primavera? Ameno e temperado, a fazer desabrochar flores nos meus olhos, com pétalas a tombar pelo peito e o perfume a apoderar-se dos meus lábios. Quem sabe se a tristeza não perece lá para o outono? Com as últimas lágrimas a ganhar o tom da despedida, caindo dos ramos para fazer a vida renascer. Quem sabe se a paixão não flagra com o calor do verão? Quente e sedutor, a trazer o refresco dos teus lábios à minha pele. A soprar palavras doces em noites despidas. Quem sabe se o teu colo me aquece no inverno? Com os sonhos a estalar na lareira. Um copo de vinho a desenhar o teu perfil, que eu sorvo num só gole.

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