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A SERRA

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É avassalador o silêncio na altitude. Protegida pela vidraça daquele chalé perdido no meio do pico gelado, procuro semelhanças entre a paisagem e a vida. O coração, às vezes, assemelha-se a uma serra no inverno. Coberta de neve, com uma neblina densa a cobrir-lhe o sopé. Rodeado por criaturas uivantes que, esfaimados, escorregam pelos declives em busca de presas. Ao longe, vislumbram-se os reflexos da lua a chapejar nas finas camadas brancas, anunciando uma primavera que há de vir. O meu olhar, perante a tua beleza, recolhe-se como um pastor que se protege do frio. Teme as extensas e frágeis lagoas geladas. Ainda assim, ousado e aventureiro, aconchegas o meu corpo com a manta que trazes nos braços. Pousas o teu rosto no meu ombro e ficas ali, a contemplar as cores vibrantes da minha alma. Então, a sós com a neve e as estrelas, animados pelo estalar da lareira, despimos a noite por inteiro. A manta tomba e revela metade de mim. O teu corpo deita-se no meu. Uma luz rosada derra...

A ESTAÇÃO

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  Cheira-me a pão acabado de fazer. E a histórias com sabor a bolo, acabado de cozer. E a gemadas batidas com amor. Cheira-me a geleia na bancada a arrefecer.    E a tua infância… qual é o seu sabor? A dióspiros acabados de colher. A figos pingo de mel, como é o teu dizer. A canela peneirada nas palavras da tua esperança. Hum… a bolinhos de abóbora a enfeitar dias cinzentos. A sonhos trazidos pela gentileza do teu olhar. Ah… e a castanhas assadas com o sal da tua voz. Leva-me pela mão ao terraço do outono. Vamos ver as folhas a dourar. Mostra-me as tardes demoradas do teu abraço. O pôr do sol no infinito dos teus cabelos. Vamos ser lentas nas conversas do coração. Ajuda-me a chorar a minha primeira desilusão. Ensina-me a cair e levantar. A esconder a dor na luz ténue de um sorriso. Dá-me o teu gesto de elegância. Conta-me o segredo dos dias transparentes. E a sabedoria para a paciência da espera. És a exaltação das horas luminosas. A minha agitação no ...

ROSA DOS VENTOS

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  Ainda dou comigo a ver-te em pensamento.      A visitar-te.  A ficar à porta do coração, aguardando o teu semblante à janela, só para aquietar a saudade. Perdida. Entre dois mundos. Sem saber qual o propósito da viagem. Que pedras trilhar. E quanto mais perdida entre brumas e arvoredos, mais encontro o sentido para existir. Um sentido que tem o teu nome, com pronúncia de fogo dentro. És a volta completa do horizonte. Representas os quatro sentidos. Os pontos cardeais. Orientas os meus pontos medianos, secundários e principais. És luz no peito a bater feito farol. A traçar a linha que me conduz para norte, sem me desviar do sul, sem criar distância do oeste... Ah… mas confesso que, às vezes, estou a leste, sumida entre as fragilidades do meu pensamento. Mas cada quadrante é um braço teu a puxar-me para um destino, o teu colo, a nossa casa. Ajusto o rumo de acordo com as estações. Quem sabe não me surpreendes ao sol da primavera? Ameno e temperado,...