O TEU CASTELO
Um Castelo de areia… dura apenas uma maré. É varrido por uma onda. É levado pela espuma da vaidade. As suas paredes temperadas, frágeis como sal, brilham à luz do sol e perdem o encanto com a noite. A tempestade varre e derruba as altas torres revestidas por finas camadas douradas. E morre… efémero, sem vida, sem amor e sem fé. Um Castelo de pedra é frio e sombrio. Adornado com celas, correntes e espadas, impõe a sua lei…afugenta a liberdade. Cada seixo é um sonho quieto impedido de existir. Um castelo de pedra não alcança a aurora, não tem luz, nem calor… não tem primavera… vive imerso no nevoeiro, banhado pelas chuvas ácidas do Inverno. As suas paredes são precipícios onde se suicidam as fantasias. Um castelo de barro é moldado pelas lágrimas do oleiro. Ergue-se à sombra das mãos calejadas pela humildade e serventes a um rei ambicioso e egocêntrico. Um castelo de barro quebra com os gritos mudos da aflição de um reino em desventura. Não há olei...