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AMOR, É TARDE

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  Amor, é tarde. E já vai extensa esta vertigem. Parece que o tempo já foi outra vida, uma em que as nossas mãos entrelaçadas tinham pele lisa como a dos pêssegos. Foi tão longe que recordo de ti apenas o sorriso de criança, com luz imatura a sair da boca. Nem sei como será agora o tom da tua palavra. Se o timbre treme, ainda, perante a minha presença. Se escondes o olhar por entre as montanhas. Porque o que vejo, pela cortina dos meus olhos, é o teu passo apressado na calçada. Ansioso. Urgente. Com a premência do encontro. E, de novo, os sorrisos puros que rasgavam as maçãs do rosto. Amor, é tarde. E já vai longa esta ausência. Às vezes penso se não te sonhei. Se não foste uma invenção da promessa. Se te criei na aventura desmedida. Se existimos, de fato, naquele tempo em que os amores nascem sem permissão. Se caminhamos lado a lado com a vontade de fazê-lo até ao fim. E vens trazer-me à memória os beijos de lábios frescos como o orvalho. Eram beijos furtivos. Roubad...

AS ROSAS

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  Observo as coisas abandonadas. Algumas inanimadas, sem sopro de vida. E, ainda assim, sinto-lhes a dor do abandono. Uma estranha sensação de tristeza por já terem sido luz antes da escuridão. Por saber que já tiveram a sua utilidade e foram descartadas. Algumas adornaram mesas, outras alimentaram sensações temporárias. Foram de serventia e até objeto de felicidade, de tanto que foram desejadas. Extinta a curiosidade e a novidade, sempre tão fugazes, atira-se para longe da vista e acabam, desoladas, num caixote onde se amontoam outros objetos semelhantes e, imagino, que entre eles troquem empatia e experiências de tempos gloriosos em que foram tão desejados ao ponto do sacrifício financeiro.   E dá-se a estupidez da vontade de trazer glória ao descartável. No outro dia, embrulhada na angústia de saber o destino das rosas que me ofereceram, tão belas e vibrantes, adiei-lhes a morte o mais possível. Saibam disto: se no vosso coração mora a vontade de me agradar, não me ...

ASAS NO CORAÇÃO

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  Um abraço é um refrão animado. Com sol sustenido a entoar melodia num rosto, tantas vezes, desanimado. Os olhos voltam-se para o céu, enquanto a gratidão se volta para dentro. É luz que se desenha na imensidão azul. E custa tão pouco ou nada. Simplesmente, entrelaçar os braços, de peito aberto, num corpo dormente e entristecido. E, nesse momento, douramos as horas gastas de alguém. É preciso estar atento. Apontar o olhar a quem passa de cabeça enfiada ao chão. Não uses as palavras. Alonga os braços e convida a entrar em teu colo. Mostra-lhe que tem onde pousar a dor. Um abraço de Deus. Vem na pureza de um sorriso. É a gratidão em forma física. É a bondade em retorno. São as mãos da vida a tocar os teus cabelos. Os beijos repartidos pela tua face. O gesto simples de quem te quer bem. Um presente inesperado de quem nem sabe que o dia é teu. Não é preciso muito mais. A vida é extraordinária quando o amor é o centro. Somos todos a mesma matéria e partilhamos um só coração. ...

A SAUDADE… A GENTILEZA… E O AMOR.

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  O coração é feito de estrelas! Algumas vivem dentro de nós, mas já não as vemos. São estrelas com nome de saudade. Brilham intensamente. São compostas por histórias e sorrisos. São anjos. São elos que não se extinguem na imensidão. Cheias de luz própria, nunca deixam que se apague a lembrança dos dias raros. Das horas partilhadas. Das gargalhadas que voavam de par em par. As estrelas com nome de saudade vivem no céu. São estrelas guia que orientam os sonhos. Alumiam os passos no meio da escuridão. Pousam, volta e meia, na almofada com amor e subtileza. As estrelas com nome de saudade guardam-nos um cantinho no céu, a seu lado. O coração é feito de estrelas! Algumas caminham entre nós. São estrelas com nome de gentileza. Dão as mãos para que ninguém se perca na jornada. São graciosas e belas. Leves como plumas. Os olhos são janelas abertas para o abraço. Partilham a sua luz com quem se deixa extinguir na escuridão. São estrelas que brilham de dentro para fora. E pulsam dia...