A VIAGEM

E o raio das horas que se atropelam.
Não basta ter o mesmo destino ou estar no mesmo lugar. É preciso vontade para se fazer cumprir a sorte. E, tantas vezes, há vontade, mas existe medo. Cada um carregando o seu, se deixa ficar no mesmo lugar. Outros levantam-se com tanta decisão, que até a coragem espanta as folhas caídas no chão, por decisão da vida. É uma força invisível que move o todo.
Tantas horas nas nuvens tolheram-lhe o entendimento. Já nem sabia se estava a ser traída pela ilusão ou se a realidade se fixara ali, aguardando sentença.
A vida lembra-nos que as oportunidades são sacanas. Existem às pequenas quantidades. São edições limitadas. Custe o que custar. É obrigatório investir. Inês levantou-se. Enfrentou a turbulência e percorreu o corredor estreito. Com ela seguiam a ansiedade e o medo. Não lhes deu vez e passou-lhes à frente.
No lugar 4E estava a luz do rosto que nunca lhe saiu da memória. Inês tomou o lugar vazio a seu lado. Raul sorriu e pegou-lhe na mão trémula. Para que o destino se cumpra há que lembrar que somos o comandante do nosso próprio avião.
O amor sossega. A viagem prossegue.
Liliana Mesquita Machado
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