SIMPLICIDADE
Gosto de coisas simples.
A simplicidade não tem matemática. Não cria problemas. Desmistifica. Desconstrói. Não tem medida ou peso. E é tão leve, ainda assim. É gesto de ternura na brandura do toque. É saber-se rico na intuição e, sem porquê ou quando, seguir no impulso que faz sorrir. É falar uma só língua.
Não há avesso, nem labirintos. Não há vertigens, nem anseios. Não há raças, nem tumultos. Não há leito oblíquo, nem pesadelos. Há, apenas, a preciosidade de um sorriso singelo a trazer paz aos meus dias. A maravilha de um pé descalço a sentir a areia. A poesia do céu azul a tombar nos meus olhos. O embalo puro e delicado de um bando de pássaros a cruzar o infinito.
Gosto de coisas simples. Talvez por isso me fascine com uma flor e não com o ramo composto. Me deslumbre com o momento e não com o lugar. Encanto-me com o gesto e não com o vestido. Seduz-me o olhar e não o cabelo.

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