SIMPLICIDADE

 

Gosto de coisas simples. 


E pessoas?
Oh, pessoas simples roubam-me o chão e levam-me pela mão no primeiro gesto de gentileza. A simplicidade traz confiança nas ondas a desmaiar na arrebentação. E é na turbulência do marulho que o braço singelo vem resgatar a calmaria das horas. Pessoas simples trazem o sol na ponta da língua. E fazem sair raios de luz pela boca. São mágicos sem manipulação.

A simplicidade não tem matemática. Não cria problemas. Desmistifica. Desconstrói. Não tem medida ou peso. E é tão leve, ainda assim. É gesto de ternura na brandura do toque. É saber-se rico na intuição e, sem porquê ou quando, seguir no impulso que faz sorrir. É falar uma só língua. 

 
Pessoas simples confiam sem nesga de hesitação.
Não julgam pela aparência. Não se ofuscam pelos rótulos. Não se apresentam com títulos. Não dizem o que trazem nem quanto valem os seus bolsos. São surdos a egos. Não fazem eco da sua beleza. Pessoas simples são seres evoluídos, que trazem conhecimento avançado sobre o estado e a ordem natural das coisas. São raras, como rara é a beleza dos teus olhos intensos.  

Não há avesso, nem labirintos. Não há vertigens, nem anseios. Não há raças, nem tumultos. Não há leito oblíquo, nem pesadelos. Há, apenas, a preciosidade de um sorriso singelo a trazer paz aos meus dias. A maravilha de um pé descalço a sentir a areia. A poesia do céu azul a tombar nos meus olhos. O embalo puro e delicado de um bando de pássaros a cruzar o infinito.

Gosto de coisas simples. Talvez por isso me fascine com uma flor e não com o ramo composto. Me deslumbre com o momento e não com o lugar. Encanto-me com o gesto e não com o vestido. Seduz-me o olhar e não o cabelo. 

 
O resto?
São missangas a necessitar de atenção. 
 
Liliana Mesquita Machado

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