O AVESSO
O outro lado. A parte que está ao contrário. O reverso.
São momentos de caos, em que o mundo está ao contrário. Dias que a nossa compreensão, mesquinha e tacanha, chama de abismo. Esses dias são o outro lado, a parte invertida, cuja existência é ensinar-nos a valorizar o que temos. Porque é nos momentos do avesso que verdadeiramente apreciamos a nossa normalidade.
E se lhe dissesse que o avesso é o lado certo? E de repente tudo faz sentido. Pois, no meio do caos descobrimos o nosso caminho. É quando nos perdemos que nos encontramos. No meio da desordem criamos o desapego à cegueira. Descobrimo-nos mais ricos. Diante dos caminhos escarpados abre-se, perante os nossos olhos, uma nova melodia. Afinal, do outro lado do avesso há abraços que nos confortam, há sonhos a concretizar, há um chão para conquistar.
Quando achamos que estamos do lado certo da vida?
Entramos no círculo vicioso: correr, trabalhar, comer e dormir. Insistentemente. E quando a vida nos troca as voltas, tombam os nossos pensamentos para o trilho certo: parar, respirar, serenar e confiar. Não existem dias maus. Aceite um novo mandamento: todos os dias são bons porque estamos vivos. Há dias tranquilos e outros de tempestade. E é necessária a tempestade para chegarmos à bonança. E são os dias de solavanco que permitem chegar ao conhecimento, obter a aprendizagem e evoluir.
Nos dias do avesso vivemos de peito aberto para a luz. E descobrimos que dentro dele vive a alegria e a vontade de viver. A coragem para lutar. A gratidão pelo que somos. A fé que desponta no amanhecer para um novo dia. A confiança de que tudo acontece por uma razão: levar-nos ao lugar onde pertencemos. Vive por extenso e não te encolhas quando a vida te invocar. Ascende ao teu propósito e não te acanhes perante os grandes sonhos. Por maior que seja o desespero, não cruzes as mãos perante as montanhas. Os grandes sucessos exigem grandes escaladas. Tudo o que tem valor exige trabalho. Não te limites. Conhece e assume os teus limites para aprender a lidar com eles. No cume existem rios transbordantes que matarão a tua sede.
E quando terminares a tua escalada pergunta-te:
Quantos dias do avesso foram necessários para chegar até aqui?
Liliana Mesquita Machado

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