TOPÁZIO

 Oh menina, vive o teu fascínio.

Entrega os dedos à criação. Devolve à alma o seu propósito. Não te negues à paixão. Tira prazer das palavras, goza do teu delírio e lembra-te que, quando puro, o talento é transparente.

Entre o sonho e o lugar onde te encontras a distância é curta. Não te demores tanto no caminho, exaurida entre serras que renunciam ao horizonte. Ou ao deslumbre, sequer, do que está além. Não fiques imóvel. Vive até à última gota de sangue, esgota o teu suor a cumprir sonhos. Transpira felicidade pelos poros, concretiza o teu sorriso, transforma-te e cumpre a tua sorte.  

Expande as tuas pernas e dá passos do tamanho das tuas aspirações. Que o medo não te desfolhe na escuridão. Não deixes a fratura concoidal infetar as tuas pétalas, porque quem nasceu para ser flor não pode ser concha. O teu coração é o ventre das palavras mais bonitas. Abre a boca cheia de poesia. Deixa nascer e chorar a tua obra, porque ela tem um caminho a percorrer. Que seja sempre amanhecer nas encostas da tua criação. Que sejam verdes os prados onde se estendem as tuas histórias. Elas são sementes lançadas ao vento a gerar vida num mundo matizado por impurezas.

Ascende ao fogo que o imaginário inflama. Flui como um rio a levar gotas de orvalho à foz, onde desaguam os versos como espelhos. O sol eleva-se na tua fronte. Assoma-se de luz as pontas dos teus dedos a faiscar de cor a tela em branco. És topázio imperial, coisa rara por descobrir. Estranha forma geométrica por intuição e amor. E quando desvanecida a singularidade das interrogações, saberás que as afirmações são caule a sustentar o pólen dourado do teu maxilar. E aí, serás a menina dos teus olhos por inteiro.   

 
Oh menina, vive o teu fascínio.
O infinito é apenas um ensaio. 
 
Liliana Mesquita Machado

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A CORAGEM DOS VALENTES

AMOR, É TARDE

LÁPIS DE CERA