ROSMANINHO

 

Sou rosmaninho…

Sou alegre e espontânea. Sou flor do monte. E sou dos vasos a enfeitar varandas soalheiras. Não sou de rega. Sou condimento. Sou do sol. Sou do mar. Sou garrida. Sou perfume lançado ao vento a animar o olfato das paisagens. Sou cor a preencher o horizonte. Sou resistente. Sobrevivo em condições extremas com uma graça singular.

Sou rosmaninho português.

Não sou a elegância francesa, nem sou tão aprimorada. Sou despenteada, jovial e desengonçada. As minhas espigas floridas são palavras aromatizadas em instantes esmorecidos. Trago gentileza aos corações áridos e conhecimento aos incultos. Sou doce e perfumada. Sou da primavera e do tempo quente. Sou impulsiva. Sou de emoções. Sou de ramo nas mãos. Sou da romaria e da festa popular. Sou da tradição e dos poemas inspiração. Sou companheira de quem me quer bem. Sou matriz selvagem nos campos do teu país. Há quem me queira derrubar. Quem me chame erva daninha. Quem me veja como arbusto. São os olhos do orgulho. Inveja de flores envenenadas. É retórica de flor murcha a carecer de uma gota de orvalho. Não é feito girassol que se vira só para o astro. É flor que, para crescer, precisa renegar. E, com essa aflição, mirra na sua própria circunstância. 

Sou rosmaninho na minha essência.

Não sou de lugares sombrios. Nem de galhos com floração pobre e corrompida. Não sou do fundo das gavetas nem da escassez de liberdade. Sou da luz. Sou a fragrância da inocência. Sou o sabor dos licores. Sou de existência secular. Sou cúmplice do encontro e a exaltação das tardes demoradas. Sou do abraço da terra acalorada. Sou do vento a passear entre os meus dedos. 

 
Com orgulho a alma erguida.
Entre a vegetação a minha coroa lilás exponho.
Minha pureza me define e rodeia.
E eu vivo no teu canteiro, para sempre perfumada. 
 
Liliana Mesquita Machado

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