DÁDIVAS INESPERADAS

 

Sabes o que são pérolas da alma?

Aquela gargalhada genuína que faz vibrar as paredes do nosso templo interior. Expande o músculo até ao universo. Amassa a tristeza até torná-la macia. Faz de nós seres mais gratos pelo que somos… pelo que temos.

As dádivas inesperadas são graças da vida. Aceita-as de peito aberto. Vive-as e permite-te ser digno delas. São alimento para a alma e para o coração. São mais apreciadas por pessoas simples. Que valorizam os gestos e não as aparências. Que se dão por inteiro sem exigir o retorno. Não se confunde este tipo de gente com o avarento que faz eco do pouco que dá, entre o muito que tem. Que reproduz em sonoridade a sua mão estendida, para receber elogios. Esse precisa ser notado e é surdo às dádivas inesperadas. A simplicidade traz o desfecho feliz nos caminhos mais íngremes, a harmonia nas agruras mais ásperas e a confiança no altruísmo para uma vida mais feliz.

Abranda o ritmo. Colhe a luz do sol. Prova o aroma da terra. Sente o paladar do vento a irromper pelas narinas. Deixa-te embalar pela cadência das ondas. Fecha os olhos e agarra-te ao essencial. Ao milagre do invisível. À doçura das horas lentas. Agarra o tempo apaixonadamente, mas não o prendas. Ouve o silêncio da tua intimidade. Ela tem voz de poente, de quem sabe o que precisas para o dia de amanhã. Constrói à tua volta um jardim e dentro de ti uma sala de estar. E vais perceber que, flores e aconchego, bastam para garantir a tua felicidade.  

 
As dádivas inesperadas são abraços do divino.
Que vêm derramar sobre um coração cansado uma nova aurora.
Que trazem um novo horizonte a um olhar derrotado.   
Que arrancam do mar revolto uma existência penosa.

São mãos de luz estendidas sobre os nossos pés. 

  Liliana Mesquita Machado

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