PASSAGEIRA
Ainda me perco no caminho que percorro.
Ainda
tropeço nas ruínas que se atravessam a meus pés. Ainda fico indecisa na
encruzilhada, imóvel perante a incerteza do rumo a seguir. Ainda me sento a
descansar nos canteiros solitários. A meditar, não sobre a chegada, mas sobre a
forma de percorrer o caminho. Ainda não sei procurar abrigo quando o céu se
abre num pranto. Ou quando a noite silencia o dia. Ainda não sei cuidar dos pés
quando a terra fere a passada. Ou o cansaço entorpece o coração.
Se já ousei pensar abandonar esta estrada?
Oh…
de joelhos e olhos postos na Tua graça. Quebrou-se tantas vezes a minha voz em
desgraça, que ao lamento não tive resposta. Murmurei as palavras até ser de
madrugada. E eis, então, que a força nasce com a aurora e traz a luz que me guia
nesta estrada. Quantos desistiram de ti? Quantos te abandonaram na berma sem
aviso? Ainda lamento pelos que fogem na emboscada. Pelos que se alargam na
passada, porque a espera é uma demora. Há quem cruze o meu caminho e há quem
permanece no caminho comigo. Ainda choro na saudade pelos que cruzam o meu
caminho. Há quem esteja apenas de passagem, mas permanece no coração, não na
nossa vida.
Ainda não sei porque estou aqui.
Não
me lembro da hora em que parti para a jornada. Nem dos sonhos que motivaram a
minha andança. O coração marca o ritmo deste chão. Mas ainda me demoro na
beleza da paisagem. Ainda trago sorrisos na algibeira para a merenda. E amor para matar a sede à vida.
Sei que na hora mais pesada, tenho as estrelas a guiar a minha estrada.
O
alento da palavra nos poemas desfiada.
E
poderei dizer, enfim: é a hora da minha chegada!
Liliana Mesquita Machado

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