UM MONSTRO NO SÓTÃO
O
medo é um monstro criado por ti.
Dás-lhe
um nome, um propósito, um lugar e autoridade para existir. Não subas ao sótão,
é lá que ele se esconde, sedento por, num só sorvo, consumir um ou dois sonhos.
Não despertes o monstro. Deixa-o sossegado no seu próprio enigma. Se o acordares,
é possível que não mais cantes o amor, que a vontade debande para lugar nenhum
e que a coragem se refugie nos subterrâneos da tua alma.
Morre-se de medo, sabias?
O
medo mata o sonho. Torna estéril o terreno onde colocas as sementes. E, em vez
de flores, terás erva daninha a crescer no teu peito. O medo das mães, o medo
dos filhos, o medo dos amores eternos, o medo do desconhecido, o medo dos
desertos e das tempestades, o medo da própria existência. Morremos de medo e,
depois disso, ainda temos medo daquilo que vem depois da morte. Se o medo te atingir,
não te detenhas, faz dele o teu mestre. Aprende a temer. Mas não permaneças no
pavor. Luta corpo a corpo e avança. A tua arma é a coragem. Se for necessário,
não te envergonhes, dá a tua mão a alguém que te ajude a acreditar.
Aventura-te
além da fronteira. O único medo que deves temer é o teu próprio medo. Sê audaz.
Se podes perder a fé? Podes. Se podes sofrer? Podes. Mas esse é o segredo – apesar
do que pode vir a ser, arrisca. A única coisa que pode acontecer é descobrires
que o caminho que trilhas não é o teu. E aí terás uma oportunidade para
escolher seguir novas direções. O medo é nada mais do que um fantasma que te
assombra, mas que se dissipa quando decides acender a luz.
A tua atenção é a única coisa que impede o medo de cair no esquecimento!
Liliana Mesquita Machado

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