A RUÍNA DO TEMPLO
(imagem:Yulia Gapeenko/Vecteeze) Nos dias impetuosos, corro. Na esperança de que me seja devolvida a dignidade nos atalhos seguintes. Tem dias que, no ventoso planalto e cortando o silêncio, ouço com nitidez o assobio da espada. Termina sempre a viagem cravando-se-me no peito. A lâmina, rude e fria, abre os gomos ao sonho. «Não te percas no caminho. Nem te demores no abismo. Segue, de cabeça erguida e coração forte.» Afinal, entre o sonho e a derrota, o que vai é um solavanco. E, com o mantra em mente, caminho no silêncio com orgulho da minha fraqueza. Nas noites escuras, choro. Em prantos, no meio dos planaltos. Mergulhada na imensidão da minha angústia. Perdida na extensão do vazio. O eco devolve-me o soluço em forma de silêncio. A ruína, porém, é de uma beleza incomparável. Com um nobre e imponente traço, parece perdida entre a planície e o céu. E dá um tom poético ao infortúnio. Uma graça irónica ao destino lamentado. Mesmo derrotada e perfurada no peito, traz-me conforto o ...