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A RUÍNA DO TEMPLO

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(imagem:Yulia Gapeenko/Vecteeze) Nos dias impetuosos, corro. Na esperança de que me seja devolvida a dignidade nos atalhos seguintes. Tem dias que, no ventoso planalto e cortando o silêncio, ouço com nitidez o assobio da espada. Termina sempre a viagem cravando-se-me no peito. A lâmina, rude e fria, abre os gomos ao sonho. «Não te percas no caminho. Nem te demores no abismo. Segue, de cabeça erguida e coração forte.» Afinal, entre o sonho e a derrota, o que vai é um solavanco. E, com o mantra em mente, caminho no silêncio com orgulho da minha fraqueza. Nas noites escuras, choro. Em prantos, no meio dos planaltos. Mergulhada na imensidão da minha angústia. Perdida na extensão do vazio. O eco devolve-me o soluço em forma de silêncio. A ruína, porém, é de uma beleza incomparável. Com um nobre e imponente traço, parece perdida entre a planície e o céu. E dá um tom poético ao infortúnio. Uma graça irónica ao destino lamentado. Mesmo derrotada e perfurada no peito, traz-me conforto o ...

ESTÓRIA DA NOITE

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  Já a noite se dilata no universo. Opulenta, enche-se de estrelas, alteia-se e cresce em tamanho. Fixo o olhar no abismo escuro. O sono tarda. O pensamento irrequieto desliza pelas lembranças. É sempre nesta hora tardia que me visita. Leva-me para longínquas paragens. Cerro os olhos. Recolho a inquietude. A noite ri dos meus esforços. O desassossego apodera-se com impiedosa robustez. E eu desisto. Lanço um suspiro pelo ar. A noite apodera-se tão firme, que sou obrigada a escutá-la. Tem um modo tão singular de nos roubar a atenção. Vem, a murmurar de mansinho, ruminar a horas tortas as abóbadas deste sótão vazio. Bebo, como louca, as pérolas que a noite traz. Invade-me a tua imagem poética. A minha alma embriagada alucina. Arde nos meus olhos a chama de uma eterna paixão interrompida. O fulgor das faces rosadas. As palpitações assimétricas do teu colo acetinado. Acende-se, de novo, a candente brasa a reluzir na pupila. Encosto-me carinhosamente ao teu peito. Oh… essa encost...