A RUÍNA DO TEMPLO

(imagem:Yulia Gapeenko/Vecteeze)

Nos dias impetuosos, corro.
Na esperança de que me seja devolvida a dignidade nos atalhos seguintes. Tem dias que, no ventoso planalto e cortando o silêncio, ouço com nitidez o assobio da espada. Termina sempre a viagem cravando-se-me no peito. A lâmina, rude e fria, abre os gomos ao sonho. «Não te percas no caminho. Nem te demores no abismo. Segue, de cabeça erguida e coração forte.» Afinal, entre o sonho e a derrota, o que vai é um solavanco. E, com o mantra em mente, caminho no silêncio com orgulho da minha fraqueza.

Nas noites escuras, choro.

Em prantos, no meio dos planaltos. Mergulhada na imensidão da minha angústia. Perdida na extensão do vazio. O eco devolve-me o soluço em forma de silêncio. A ruína, porém, é de uma beleza incomparável. Com um nobre e imponente traço, parece perdida entre a planície e o céu. E dá um tom poético ao infortúnio. Uma graça irónica ao destino lamentado. Mesmo derrotada e perfurada no peito, traz-me conforto o silêncio majestoso desse nada. E, sabendo-me vencida, a alma ergue-se do chão para me dar a mão na escuridão.

Deito-me sem comer.

Bebendo das minhas lágrimas. Tentando segurar, com a palma da mão, um coração exausto de lutar. As palavras deixaram de ser ditas. Perderam o valor à saída dos lábios cansados. Solto-as, então, na ponta do precipício, para que aprendam a voar noutros céus e encontrem significado. A vida, em descida vertiginosa, coloca à prova a resistência. E, quantas vezes, ferida no ventre, vem ao de cima a fragilidade.

Coragem não é uma palavra. 

É a capacidade de permanecer de pé perante a dor.
 E, à volta dela, cresce a magia e o poder da fé.
Coisa única e tão singela.
Tão simples como acreditar!
 
Liliana Mesquita Machado

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