PARA SEMPRE...
Fugi ao mais pequeno vestígio de avanço. Foi sempre o medo o primeiro a arrebatar o coração, a conquistar terreno, a vencer a luta. Fugi para não te ter diante de mim, a olhar-me à vista desarmada. Fugi-te ao crepúsculo dos dias, quando havia uma dança prometida. Desviei-me nas horas destinadas ao nosso encontro. Subtrai-me nos momentos em que o destino me oferecia glória diante de ti. Só as nossas curtas viagens eram um lugar seguro. Partilhávamos narrativas com a ilusão de que nenhum de nós se exprimisse na contemplação. Fugi-te nos longos raios do sol. Ando à deriva desde então. Suspensa entre estes dois mundos em que te tenho e não tenho. Sei que me visitas, entre as camadas da noite. Que me consomes lentamente de olhos fechados, enquanto dormes. Esse lugar imperfeito, onde as tuas mãos, embaladas na coragem, prendem o meu rosto. Os teus olhos entram nos meus. E, sem lados por onde fugir, os teus lábios tomam posse da minha alma. Beijo puro. Adormecido. Doce. Queb...