O SORRISO DA VELHA INFÂNCIA
Há dias em que o sol se atrapalha. Perde-se entre as montanhas brancas que brincam no céu. Desorienta-se na órbita e confunde-se na rota. Nesses dias, eu aproveito para regressar à minha infância. Resgatar o meu sorriso. Ficar recolhida a ouvir, surpresa, a sonoridade genuína da minha gargalhada. Percebo que este sorriso, há muito, abandonara os meus lábios onde, por tanto tempo, brincara inocente e desajeitado. Era este sorriso livre e alegre que, em tardes sombrias, afastava a tristeza do meu coração. Por isso o resgato nos dias em que o sol se baralha! Sentindo o meu sorriso, os meus lábios tornam-se frescos como amoras acabadas de colher. E abrem-se ao mundo como rosas perfumadas. Espantam os insultos, silaba a silaba, com beijos demorados. O meu sorriso surge a quebrar a melodia do silêncio. Afugenta os terrores da agonia. E é na hora mais sombria que ele não me abandona. Agarra-se aos meus lábios em tamanha apoteose, a subjugar o pensamento pesaroso, coroando triunfante o s...