DIANTE DE TI
Solidão, minha solidão… Esquecido. Exilado. Perdido no silêncio íntimo das ruínas deste templo feito corpo abandonado. Este chão que não tem fim. Estala o tempo. E quebra o silêncio o eco do latejo e do lamento profundo. As portas batem. E a dor deslaça. A espada cai. Trespassa o meu peito aberto ao teu desígnio. Já não sou quem fui. Sou outro. Sou a face longínqua de um sorriso que se perde na tempestade. Sou as marcas do açoite repetido, doloroso, dilacerante que rasga a minha carne e a expõe ao mundo. Sou os propósitos desta vida. A casa que outrora fui foi destroçada. E escurece o jardim do meu corpo. Senta-se a morte no banco à minha porta. Espera por mim. Paciente e sossegada. Esteve longo tempo ocupada. Deu a mão, um por um, aos habitantes deste refúgio. E tudo o que tenho se transforma em pó, que se desfaz com a brisa. E que frágil é o que possuo. Frágil como as folhas que se convertem em cinza perante o Teu fogo. Frágil como o barro que se desfaz com a queda...