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O TEU LUGAR

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  A bolha em que vives… É segura. É o teu espaço sagrado. Onde existes em liberdade. Única. Inteira. Sem adereços para desarmadilhar. À chegada dos dias em tempestade, entras na casca e, com o espírito a nu, suspiras, enfim, pela paz que sonharas. Dentro da esfera vive uma louca que encerra em si todas as emoções de uma só vez. Intensa. Que chora como se fosse o primeiro suspiro. Que ri como se fosse o primeiro amor. Que deseja e reinventa-se quantas vezes forem necessárias. Que tomba a cada solavanco, mas nunca permanece no chão por muito tempo.    A bolha em que vives… É um espaço solitário. Entre a densidade da camada transparente, rejeitas a falsa palavra doce e os negros arvoredos. E permites-te ser e existir em pleno. E não te culpas. E não te flagelas com a moralidade tola dos que vendem enciclopédias sobre a vida e os seus termos. E arrancas da face a hipocrisia das horas. E és a única a bordo desse navio sem velas. Porque ao leme segue um coração que, n...

TU ÉS O POEMA

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  Na vida e no caminho encontra um sentido. Escolhe, cuidadosamente, quem segue contigo. Se necessário, escolhe uma saída e faz o desvio, nem que seja para abrandar o ritmo. Parar. Ouvir o murmurinho dos pinheirais. Sentir a gentileza da brisa. Abraçar a terra, o céu e o mar. Não percas tempo com as pedras que teimam na amargura. Nunca te esqueças, elas estão destinadas a rolar, solitárias e exaustas, debaixo dos teus pés. Aproveita! Cada uma serve para edificar a tua evolução. Cresce como as árvores. Deixa a alma florir como rosas. Deixa o destino fluir como um rio. Confia! A vida sabe o rumo que deves tomar. Que nada fique por dizer, viver e partilhar. Sê fiel à tua essência e a ti mesmo. No fim de contas, é para contigo o dever da felicidade. Dá prioridade às tuas escolhas. Vive o teu instante. Se o momento é de ira… revolta-te e grita. Se o momento é de alegria… sorri e dança. Larga a mão a quem já não quer caminhar contigo. Nada é para sempre. E ainda bem, ou a jornada...

O SORRISO DA VELHA INFÂNCIA

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Há dias em que o sol se atrapalha. Perde-se entre as montanhas brancas que brincam no céu. Desorienta-se na órbita e confunde-se na rota. Nesses dias, eu aproveito para regressar à minha infância. Resgatar o meu sorriso. Ficar recolhida a ouvir, surpresa, a sonoridade genuína da minha gargalhada. Percebo que este sorriso, há muito, abandonara os meus lábios onde, por tanto tempo, brincara inocente e desajeitado. Era este sorriso livre e alegre que, em tardes sombrias, afastava a tristeza do meu coração. Por isso o resgato nos dias em que o sol se baralha! Sentindo o meu sorriso, os meus lábios tornam-se frescos como amoras acabadas de colher. E abrem-se ao mundo como rosas perfumadas. Espantam os insultos, silaba a silaba, com beijos demorados. O meu sorriso surge a quebrar a melodia do silêncio. Afugenta os terrores da agonia. E é na hora mais sombria que ele não me abandona. Agarra-se aos meus lábios em tamanha apoteose, a subjugar o pensamento pesaroso, coroando triunfante o s...