O TEU LUGAR

 

A bolha em que vives…
É segura. É o teu espaço sagrado. Onde existes em liberdade. Única. Inteira. Sem adereços para desarmadilhar. À chegada dos dias em tempestade, entras na casca e, com o espírito a nu, suspiras, enfim, pela paz que sonharas. Dentro da esfera vive uma louca que encerra em si todas as emoções de uma só vez. Intensa. Que chora como se fosse o primeiro suspiro. Que ri como se fosse o primeiro amor. Que deseja e reinventa-se quantas vezes forem necessárias. Que tomba a cada solavanco, mas nunca permanece no chão por muito tempo. 
 
A bolha em que vives…
É um espaço solitário. Entre a densidade da camada transparente, rejeitas a falsa palavra doce e os negros arvoredos. E permites-te ser e existir em pleno. E não te culpas. E não te flagelas com a moralidade tola dos que vendem enciclopédias sobre a vida e os seus termos. E arrancas da face a hipocrisia das horas. E és a única a bordo desse navio sem velas. Porque ao leme segue um coração que, não sabendo para onde vai, sabe onde não quer ancorar. Não importa se está à deriva, se quebra as ondas com a arrogância da ousadia. Se rasga o azul com a bravura da coragem. Ou, até mesmo, irrompe pelo infinito com os remos da audácia. A pureza da brisa é o destino desejado.

A bolha em que existes…
É o lugar onde bebes ao luar. Livre como o vento a desenhar o teu perfil. És tu além da aparência. És amor e liberdade. Imperfeição e arco-íris. És seara e campo a florir.  És o silêncio da melodia a ressoar nos pinheirais. És a história mais bonita do teu livro favorito.

Sai da bolha por um instante.
Mas traz-te inteira para o mundo.
Ainda que o mundo te estranhe por enquanto. 
 
Liliana Mesquita Machado

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