O CORAÇÃO PULSA A DOIS RITMOS
Do beijo que cresce e a noite consome. Mão na mão primeiro, do beijo à cintura depois. Os teus braços tornam-se abrigo e, no peito, o coração estremece. Deixo que chegues de mansinho e te aproximes, muito ao de leve, ao meu ouvido. No murmúrio está o ganho e a conquista. Sinto-o no arrepio da pele. Num fechar de olhos. No cerrar dos punhos. No vestígio dos cabelos a tombar nos meus ombros. É a sede. O sabor. A transpiração dos corpos. A vertigem do afago. Por onde o desejo se enlaça, eu perco-me na paixão descalça. Tu vences na entrega e na audácia. Parto em busca de fulgor. Percorro as linhas do teu perfil à meia luz acostumado. Enredo-me no teu abraço e construo este romance. Quero a febre dos lábios. A poesia dos corpos. O delírio das pétalas na pele a desmaiar. Quero o fogo e a chama dos sentidos arrebatada. O tumulto da paixão exagerada. E, nesse desfiar de vontades, derramo o sonho. Deleito-me com o sustido das vogais. Sufoco as palavras ao pé da tua boca. Os dedo...