O CORAÇÃO PULSA A DOIS RITMOS
Do beijo que cresce e a noite consome.
Mão
na mão primeiro, do beijo à cintura depois. Os teus braços tornam-se abrigo e,
no peito, o coração estremece. Deixo que chegues de mansinho e te aproximes,
muito ao de leve, ao meu ouvido. No murmúrio está o ganho e a conquista.
Sinto-o no arrepio da pele. Num fechar de olhos. No cerrar dos punhos. No
vestígio dos cabelos a tombar nos meus ombros. É a sede. O sabor. A
transpiração dos corpos. A vertigem do afago. Por onde o desejo se enlaça, eu
perco-me na paixão descalça. Tu vences na entrega e na audácia.
Parto em busca de fulgor.
Percorro
as linhas do teu perfil à meia luz acostumado. Enredo-me no teu abraço e
construo este romance. Quero a febre dos lábios. A poesia dos corpos. O delírio
das pétalas na pele a desmaiar. Quero o fogo e a chama dos sentidos arrebatada.
O tumulto da paixão exagerada. E, nesse desfiar de vontades, derramo o sonho. Deleito-me
com o sustido das vogais. Sufoco as palavras ao pé da tua boca. Os dedos vão
talhando a curvatura da noite. A ternura vai abrindo a madrugada. Sempre foi de
loucura a nossa história, meu amor.
E é tão frágil esta entrega.
Por
isso, tecemos a memória. Inventamos a saudade. Paramos o tempo. Olhamos para
dentro, em busca do que não se vê e não se toca. E chamamos amor ao elo das
almas, porque o elo dos corpos é outra coisa. É vulgar. É passageiro. É fugaz. É
uma gota de orvalho na fogueira. O amor é a sintonia. É a alma e o corpo em
uníssono. O desassossego do encontro. É a pressa e a urgência. O que permanece.
O que fica para depois.
É
casa e abrigo.
Onde
já não somos vazios e o coração pulsa a dois ritmos!
Liliana Mesquita Machado

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