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O VERBO DE DEUS

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  Estende a noite num plano gigante de emoções. Voa o mais alto que souberes. E, depois disso, aprende a voar mais alto ainda. Sem temer o peso da vida enroscado no cabelo. Que nada te prenda ao chão. Nem um fio que seja. Estende as asas e abraça-te por inteiro. Atira-te ao vento. Sorri durante o voo. Exibe o rigor da coragem. O dom da confiança. A espessura do teu coração. És o avesso da aparência. A certeza na oração. A luz que grita por esperança. Alastra-te. Invade com força. Inspira à viagem do sonho. Agiganta-te, mesmo exausta dos combates. Estende a noite num plano gigante de emoções. Caminha o melhor que souberes. E, depois disso, aprende a caminhar mais firme ainda. Sem temer a pedra que teima sob os teus pés. Que nada te arranque o céu dos teus voos. Nem um seixo que seja. Sê a pegada depois do abismo. Aquela que mostra o tamanho do teu ser. Faz-te à estrada. Enfrenta a tempestade. Sorri entre dois passos. Exibe a ânsia de viver. O sol que trazes ao peito. As go...

FIO DAS EMOÇÕES

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  Contigo aprendi a rir entre dois bocejos. A dar asas à imaginação perante um discurso insosso com meia dúzia de palavras medíocres. A sonhar em tempos ásperos, nas tardes frias e negras, em que a luz triste, coada por vidros sujos, nega a afeição. A dar lume a fogueiras frouxas onde já nada arde com paixão. A ser exaltação diante de rostos com ar de enfado. A mostrar encantamento entre três gracejos descabidos. A viver no outro lado da moeda, num plano invertido, quando me é negada a alegria. A contrariar o ruído dos infelizes. A subtrair o medo até dar zero. A ousar ser muito além do que os olhos vislumbram.     Contigo aprendi o amor entre dois laços. Um longo fio à volta do corpo. Sem princípio. Sem fim. Sem rasto. A existir, por si só, e na força invisível do abraço. Das mãos que se cruzam no anonimato. Dos olhares que se fixam na multidão. Dos lábios que se extinguem no silêncio. Aprendi que o amor é um fio de espuma que nunca se separa do mar. Permanece,...

LUMINESCENTE

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  Somos chocalhos. No prado, à volta da vida, a ver quem chocalha mais alto. Eu existo! Eu sou! Eu quero! E tudo isto é verdade, mas o que nos torna chocalhos é querermos ser vistos. A todo o custo! Então, quebramos o silêncio. Queremos assinalar a nossa presença à chegada. Agitamos as franjas e, a cada movimento, o chocalho produz um som distinto, um eco metálico que reverbera na alma dos que nos ouvem. Chocalhamos até que os olhos estejam todos postos no nosso soar. Abafamos o chocalhar alheio. Só o nosso vale. Só o nosso é música. Só o nosso é perfeito. E assim, só assim, nos tornamos visíveis à luz do dia. À força! A chocalhar alto e a bom som. Sem melodia. Sem alma. Só o ruído a produzir agonia no prado, à volta da vida. Somos, cada vez mais, chocalhos. À procura de alguém que nos escute. Sem nada que valha ser dito. Às vezes só queremos produzir um escândalo. Estar no antro dos ramos. E dar enfermidade a quem chocalha no mesmo prado. No meio do chinfrim, a dor é muda...