AS ROSAS
Observo as coisas abandonadas. Algumas inanimadas, sem sopro de vida. E, ainda assim, sinto-lhes a dor do abandono. Uma estranha sensação de tristeza por já terem sido luz antes da escuridão. Por saber que já tiveram a sua utilidade e foram descartadas. Algumas adornaram mesas, outras alimentaram sensações temporárias. Foram de serventia e até objeto de felicidade, de tanto que foram desejadas. Extinta a curiosidade e a novidade, sempre tão fugazes, atira-se para longe da vista e acabam, desoladas, num caixote onde se amontoam outros objetos semelhantes e, imagino, que entre eles troquem empatia e experiências de tempos gloriosos em que foram tão desejados ao ponto do sacrifício financeiro. E dá-se a estupidez da vontade de trazer glória ao descartável. No outro dia, embrulhada na angústia de saber o destino das rosas que me ofereceram, tão belas e vibrantes, adiei-lhes a morte o mais possível. Saibam disto: se no vosso coração mora a vontade de me agradar, não me ...