O CÉREBRO DOS AFETOS
As
nossas preciosas memórias.
Vivem
além do tempo, sem espaço e sem idade. São máquinas do tempo que permitem
revisitar lugares e pessoas, sorrisos e momentos de abraço. Perduram. São
elementos vivos dentro da nossa alma. Têm forma e cor. Algumas têm aroma e
sabor. São o registo mais fiel da tua jornada. São páginas do teu livro. Os
teus sonhos materializados. Construir memórias é colecionar afetos. É desenhar
um legado que te trará um vislumbre de felicidade. É muito mais que um plano de
reforma que traz conforto no avançar da idade. O dinheiro gasta-se. Mas as
memórias… ah, as memórias! Essas permanecem, intactas, independentemente das
vezes que as extraímos do coração. É lá que vivem. Não na mente.
O coração é o cérebro dos afetos.
Quando
a mente envelhece e vai traindo a nossa capacidade de recordação, as memórias
do coração permanecem. Ilesas ao desgaste. E, nesse momento, a única linguagem
com entendimento é o idioma do amor. É assim que ativas as memórias do coração.
Esse novelo de extensas primaveras. Em que os rostos têm nome. O lar tem morada
certa. Os sorrisos são sonoros. As palmas das mãos são tangíveis. As almas
reconhecessem-se através do tempo. E o olvido enfraquece diante de tão nítidas
lembranças.
As memórias são presenças luminosas.
Vão
despontando diante da nostalgia. Trazem o raiar da madrugada aos dias
cinzentos. São a matiz da saudade ao pôr do sol. São a parte de ti que vive
para sempre. Em ti e nos outros. Nos corações que tocas. São filamentos de
esperança. Um desfiar de ternuras. São beijos lançados à brisa. A melodia em
cada estação. São o aconchego do espírito quando a tua ausência é sentida.
As tuas memórias.
Esses
corredores infinitos com janelas para o passado.
Os
versos que compõem a tua poesia!
Liliana Mesquita Machado

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