A VIDA EM LINHA RETA
Quero a paz que trago comigo!
Que
os dias são de estalo e o tempo urge debaixo dos pés. Na viagem que me resta,
basta o sonho à narrativa e um sorriso nas palavras. Um dia de sol inventado no
inverno. O ar que cheira a flores. E um
dia de domingo a cada semana. O extraordinário num coração cansado é que se
expande nas coisas simples. Já não se demora em nostalgia. Não se deslumbra com o
cume dourado das montanhas. Nem se perde nas estradas lamacentas da vida. Alonga
o olhar na tranquilidade do meio-dia. Repousa os gestos na quietude dos astros.
E, calma, serena e de olhos fechados, dá um salto de fé.
Escolho a paz que trago comigo.
Que
as tardes são de primavera. O céu é de portas caiadas. E em velhas pedras ainda
nascem rosas. Pois um lugar onde sobram as misérias é terreno fértil para
semear o amor. Fazer crescer a substância e a cor. E deixar os lírios compor um
canto da paisagem. A façanha dos corações famintos é encontrar razão para
sorrir. Desafiando a dor. Desfiando as contas de um rosário à procura de um
milagre. E ele ali. Sempre ali, diante dos olhos mudos e da boca cega.
Esquecido. O milagre já vive dentro de ti.
Levo a paz que trago comigo.
Que
o labor da vida tem fim na longa eternidade. Antes morrer sereno que viver
atrapalhado na mesquinhice das horas. E a vida é tão jeitosa. Com os seus
feixes de luz própria. Os seus olhos garços. Os seus cabelos longos como areias
e o cheiro a maresia. Tão única e singular. Que sarei a minha própria dor e
estendi a manta ao luar. Quero, agora, a paz que trago comigo. Quieta e
sossegada.
E é no silêncio que o suspiro se exprime!
Liliana Mesquita Machado

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