A PARTÍCULA DA TERNURA

 

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Ruim é fingir que dói a vida toda.

Arrastando-se na pobreza de uma vida desgraçada, cobrindo de véu escuro o coração. A vida é sacana, mas não alastra a dor pelo esqueleto do tempo. Não é tear a compor de angústia a teia e a trama dos sonhos. A dor é passageira. Tão fugaz como uma estrela cadente. Tão veloz como o voo das andorinhas. Tão breve quanto a nesga de luz que afasta as nuvens. Então confia. Na força das águas que te arrastam, no poder do vento que te empurra e na luz do sol que te ilumina.

Ruim é fingir que dói a vida toda.

Não dói a saudade, nem a tristeza, tão pouco o amor. Porque não há fim que não possa ser serenado. A saudade é a felicidade impressa na memória. A tristeza é a alavanca dos sorrisos. O amor não devolvido é uma porta aberta para um amor verdadeiro. Toda a dor tem um reverso. Inclina os teus olhos para as estrelas. Abraça a bravura que trazes ao peito. Agarra-te ao fio de luz que brota do teu coração. A vida é como uma gota de orvalho: tão frágil e, ao mesmo tempo, tão revigorante.

A dor não é o acaso nem o destino.  

Sob os teus pés estende-se um verso a compor-se de poesia. Procura o avesso da dor. Acorda antes que a noite se cubra de horizonte. Passa um sonho pelo rosto e um arco-íris no sorriso. Pula de coração descalço para o terraço da vida. Abre a exceção à regra e o peito à partícula da ternura. És digna de dias bonitos. De abraços ruidosos e gargalhadas delicadas. De amores perfeitos e borboletas no jardim. A vida é simples.

Não te enganes na morada.

Vieste ao mundo para ser feliz!
 
Liliana Mesquita Machado

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