AQUELE FAROL
Perdoa-me
o espaço e o tempo.
A
imaturidade dos dias inseguros e a fragilidade do olhar que não alcança além da
fronteira do medo. Sem isso, teríamos cumprido o propósito. As nossas mãos não
se teriam largado. Não me fugias pela espuma das horas. E os nossos corações
permaneceriam como um só. Eu não teria fugido à valsa prometida. Nem me refugiaria
nos degraus da bancada onde teimavam os encontros de sorrisos rasgados e,
claramente, apaixonados. Tão singelos como crianças que se encontram no
recreio. Que respiram o mesmo aroma. Falam a mesma língua. E se eu tivesse,
sequer, ouvido com o coração, não estaríamos tão longe.
Perdoa-me a cobardia.
A
inexperiência das mãos e a falta de arte para o amor. E aquele farol teria sido
a luz a guiar a nossa história. E as viagens teriam sido permanência. E
caminhar lado a lado seria o rumo de quem se encontra nesta vida após muitas
viagens. A esta distância entendo a riqueza da oportunidade. A vida colocou-nos
tão cedo no caminho e eu deixei-te escapar pelo vazio dos dedos. Se eu soubesse
ler com clareza os sinais, entenderia o primeiro beijo. Tão leve. Tão intenso.
Cheio de palavras e significado no meio do silêncio em plena multidão. Se eu
tivesse, sequer, escutado o teu coração, não estaríamos a léguas.
Perdoa-me o silêncio.
A
falta de palavra para dizer: amo-te. A incapacidade para dar expressão ao
sentimento. O nervosismo que impediu a minha mão de pegar na tua para juntas desenhar cada letra do nosso destino. Se eu soubesse estar atenta à tua
inquietação. Se os meus olhos tivessem alcançado os teus. Eu teria dado voz à
emoção e saberia do que falava cada poema teu no meu caderno.
Guardo a tua promessa.
Um
dia… de novo… no inverno da vida!
Liliana Mesquita Machado

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