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A ESTAÇÃO

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  Cheira-me a pão acabado de fazer. E a histórias com sabor a bolo, acabado de cozer. E a gemadas batidas com amor. Cheira-me a geleia na bancada a arrefecer.    E a tua infância… qual é o seu sabor? A dióspiros acabados de colher. A figos pingo de mel, como é o teu dizer. A canela peneirada nas palavras da tua esperança. Hum… a bolinhos de abóbora a enfeitar dias cinzentos. A sonhos trazidos pela gentileza do teu olhar. Ah… e a castanhas assadas com o sal da tua voz. Leva-me pela mão ao terraço do outono. Vamos ver as folhas a dourar. Mostra-me as tardes demoradas do teu abraço. O pôr do sol no infinito dos teus cabelos. Vamos ser lentas nas conversas do coração. Ajuda-me a chorar a minha primeira desilusão. Ensina-me a cair e levantar. A esconder a dor na luz ténue de um sorriso. Dá-me o teu gesto de elegância. Conta-me o segredo dos dias transparentes. E a sabedoria para a paciência da espera. És a exaltação das horas luminosas. A minha agitação no ...

A RAIZ

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  Dormia o sossegado abraço das horas. Para lá dos olhos fechados havia um mundo novo a renascer. A luz e a espuma consagradas num só céu. O coração saía-me do peito, como uma criança que pula com a alegria singela de um pião. Invade-me o leve aroma das amêndoas. Há gargalhadas a ecoar nos meus pés e um longo caminho enfeitado por ciprestes. Murmuravam entre si um idioma abafado. E as suas coroas dançavam lentamente a melodia tremular dos suspiros apaixonados. Dei duas voltas ao ninho. As minhas asas soltaram-se destemidas. Em queda livre vi o mundo em perspetiva. O instante há de poisar nas pétalas finas dos roseirais fluídos. Intenso o silêncio nítido que escorre pelos dedos. E o mistério esmorece. Afinal é a vida a acontecer, alheia ao eco dos prantos em ousadia. Sei de onde venho e a quem pertenço. A equação difícil de resolver é quem sou e para onde vou. Irra… que me afundo na procura de solução. É simples se pensar com o coração. E estende-se o nácar do caminho ...

TOPÁZIO

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  Oh menina, vive o teu fascínio. Entrega os dedos à criação. Devolve à alma o seu propósito. Não te negues à paixão. Tira prazer das palavras, goza do teu delírio e lembra-te que, quando puro, o talento é transparente. Entre o sonho e o lugar onde te encontras a distância é curta. Não te demores tanto no caminho, exaurida entre serras que renunciam ao horizonte. Ou ao deslumbre, sequer, do que está além. Não fiques imóvel. Vive até à última gota de sangue, esgota o teu suor a cumprir sonhos. Transpira felicidade pelos poros, concretiza o teu sorriso, transforma-te e cumpre a tua sorte.   Expande as tuas pernas e dá passos do tamanho das tuas aspirações. Que o medo não te desfolhe na escuridão. Não deixes a fratura concoidal infetar as tuas pétalas, porque quem nasceu para ser flor não pode ser concha. O teu coração é o ventre das palavras mais bonitas. Abre a boca cheia de poesia. Deixa nascer e chorar a tua obra, porque ela tem um caminho a percorrer. Que seja se...