A ESTAÇÃO
Cheira-me a pão acabado de fazer. E a histórias com sabor a bolo, acabado de cozer. E a gemadas batidas com amor. Cheira-me a geleia na bancada a arrefecer. E a tua infância… qual é o seu sabor? A dióspiros acabados de colher. A figos pingo de mel, como é o teu dizer. A canela peneirada nas palavras da tua esperança. Hum… a bolinhos de abóbora a enfeitar dias cinzentos. A sonhos trazidos pela gentileza do teu olhar. Ah… e a castanhas assadas com o sal da tua voz. Leva-me pela mão ao terraço do outono. Vamos ver as folhas a dourar. Mostra-me as tardes demoradas do teu abraço. O pôr do sol no infinito dos teus cabelos. Vamos ser lentas nas conversas do coração. Ajuda-me a chorar a minha primeira desilusão. Ensina-me a cair e levantar. A esconder a dor na luz ténue de um sorriso. Dá-me o teu gesto de elegância. Conta-me o segredo dos dias transparentes. E a sabedoria para a paciência da espera. És a exaltação das horas luminosas. A minha agitação no ...