INSANIDADE
Insana é a minha sensatez. Na invenção das páginas que vou escrevendo, largando destinos diversos a cada capítulo, acumulo as histórias que os outros rejeitam. É louca! Gritam palavras prontas a saltar da ponta do abismo. Nunca fui o que os outros desejam. Fui outra. Fui várias. Sou versões sem máscara e sem reflexo. Edições limitadas que existem enquanto o tempo for mestre e que terminam quando o sorriso ameaça desvanecer. Julgaram-me louca enquanto fui vista a dançar ao meu próprio ritmo a música que os outros, surdos à genialidade, eram incapazes de ouvir. Além de surdos, continuam cegos na tormenta e a insistir na pobreza da normalidade. Nessa insanidade lá vou dando a volta ao universo, colhendo as flores que a vista dos torpes não alcança. Os que fingem conhecer-me perfilham com graça o desvario dos meus dias. Outros, perplexos na minha desordem, tecem o olhar piedoso de quem acredita que é um destino infeliz. Não tenho o receio de parecer, nem tempo a perder para...