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INSANIDADE

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  Insana é a minha sensatez. Na invenção das páginas que vou escrevendo, largando destinos diversos a cada capítulo, acumulo as histórias que os outros rejeitam. É louca! Gritam palavras prontas a saltar da ponta do abismo. Nunca fui o que os outros desejam. Fui outra. Fui várias. Sou versões sem máscara e sem reflexo. Edições limitadas que existem enquanto o tempo for mestre e que terminam quando o sorriso ameaça desvanecer. Julgaram-me louca enquanto fui vista a dançar ao meu próprio ritmo a música que os outros, surdos à genialidade, eram incapazes de ouvir. Além de surdos, continuam cegos na tormenta e a insistir na pobreza da normalidade. Nessa insanidade lá vou dando a volta ao universo, colhendo as flores que a vista dos torpes não alcança. Os que fingem conhecer-me perfilham com graça o desvario dos meus dias. Outros, perplexos na minha desordem, tecem o olhar piedoso de quem acredita que é um destino infeliz. Não tenho o receio de parecer, nem tempo a perder para...

AMOR À SUPERFÍCIE

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  Às vezes esquecemos o que é viver o amor. Atirados às paixões, lançados ao apego da atração, agarrados à superfície, somos criaturas em busca do equilíbrio. Ávidos de conquista, sedentos por um corpo que encerra em si a alma gémea. Crentes de que nos falta uma metade. Falta-nos o dom para criar. A criatividade para desenhar o amor como arte de rua. Espalhar cor nas paredes. Trazer alegria aos muros. Dar forma à pedra.   O amor à superfície desgasta-se como roupa barata. Dura o tempo necessário para satisfazer a vontade pela novidade. Depois disso, estamos todos cansados de olhar ao espelho e ver sempre o mesmo vestido. Queremos algo mais excitante. Que nos devolva o esplendor. Que renove o brilho no olhar. Que arranque suspiros… ainda que por breves instantes. Gostamos é do amor que dá vertigens. Hum… aquele friozinho de medo perante a queda. A adrenalina do vazio debaixo dos pés. O que nos envolve e seduz é o perigo. Raramente amamos a pessoa, mas a possibilidade. O q...

ESSÊNCIA

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  Cobri de renda a lassidão da alma. As plumas espalhadas pelo chão e o glamour estendido sobre os pés. Despi-me, enfim, das lantejoulas douradas, refletidas nos pingos de mel fixos no meu corpo. Eram espelho a espiar-me por dentro. Descubro conforto num tinto que encontrou vertigem num copo balão. Sento-me no velho cadeirão. Herança que conta outras tantas histórias semelhantes.    Seguro o copo pela mão. Faço descer o sorvo dos infiéis e entro em reflexão… O pecado é ter nascido mulher. A desvirtuar-se do fado que lhe estava destinado. A ousar entrar em cena sem cumprir obrigação. Obstinada em lançar-se no seu próprio voo. A usar as asas da liberdade e seguir rumo desconhecido. É, precisamente, na turbulência do sopro que encontro a adrenalina para o sangue. Encaro, desde tenra idade, a ténue existência como viajante. Caminho. Observo. Experimento. Não coleciono objetos nem pessoas. Vou construindo memórias e deixando um rasto de gratidão. Em todos os meus e...