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PASSAGEIRA

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Ainda me perco no caminho que percorro. Ainda tropeço nas ruínas que se atravessam a meus pés. Ainda fico indecisa na encruzilhada, imóvel perante a incerteza do rumo a seguir. Ainda me sento a descansar nos canteiros solitários. A meditar, não sobre a chegada, mas sobre a forma de percorrer o caminho. Ainda não sei procurar abrigo quando o céu se abre num pranto. Ou quando a noite silencia o dia. Ainda não sei cuidar dos pés quando a terra fere a passada. Ou o cansaço entorpece o coração. Se já ousei pensar abandonar esta estrada? Oh… de joelhos e olhos postos na Tua graça. Quebrou-se tantas vezes a minha voz em desgraça, que ao lamento não tive resposta. Murmurei as palavras até ser de madrugada. E eis, então, que a força nasce com a aurora e traz a luz que me guia nesta estrada. Quantos desistiram de ti? Quantos te abandonaram na berma sem aviso? Ainda lamento pelos que fogem na emboscada. Pelos que se alargam na passada, porque a espera é uma demora. Há quem cruze o meu c...

À TUA ESPERA

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  Foi buscar-te a minha saudade. No sonho que desfaz o tempo e o espaço. E o teu rosto surgiu no vazio sereno. As tuas mãos, nítidas como a pureza da água. Doces como os olhos que se enternecem ao cair sobre mim. E o teu sorriso preenche a noite caiada. É na dimensão sossegada, a hora do nosso encontro. Tantas vezes acontece e nunca proferimos uma palavra. Dilatamos o abraço sem a espessura dos corpos. É o sentimento que se alonga ao peito. E vou procurar-te ao lugar que conheço. Onde me deixaste antes da tua última viagem. É a grandeza das almas a existir no desencontro da jornada. Ama-se através da humanidade. Antes e depois de existir. Sem tempo para se materializar. O destino traçou-nos uma linha. Eu, de um lado, a viver solitária. Tu, do outro lado, à minha espera. Vieste na quietude das horas. Com a promessa de que a saudade habita na eternidade. E, inspirada pelo relento nostálgico, ousei cruzar os umbrais e roubar a chave da portada. Fiz a viagem pelos retratos. R...

O AMOR INVENTADO

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  Amar é quando já não estamos sós. Somos dois, mesmo que o outro não saiba. Quando nos tornamos largos e profundos. E falamos com o vazio. E rimos para o nada. E o perfeito é regra. O luar é secreto e interminável. De mãos dadas, passeamos sozinhos junto ao mar. A minha mão na tua, mil vezes o momento entressonhado. Os teus lábios a desfiar pétalas aveludadas que vêm cair, levemente, no meu peito despido. Amo-te da janela dos meus olhos. Oh… quanto mistério. A inundar-me de dentro para fora. A embriagar os meus sentidos. A toldar-me o sonho em miragem. A deleitar-se com a ingenuidade deste outono que ainda agora se inicia. Para ti acrescentei um dia ao tempo. Teci as horas por extenso. Para te amar para além da ausência. Pois só assim se amam os eternos. E em dias demorados, fecho os olhos para te ver. Amo-te da porta da minha boca, por onde entra a luz do sol, tão pura, a inundar o pudor dos afortunados. Ah… pudesse eu não ter limites. Nem vergonha a cingir os meus gest...