PASSAGEIRA
Ainda me perco no caminho que percorro. Ainda tropeço nas ruínas que se atravessam a meus pés. Ainda fico indecisa na encruzilhada, imóvel perante a incerteza do rumo a seguir. Ainda me sento a descansar nos canteiros solitários. A meditar, não sobre a chegada, mas sobre a forma de percorrer o caminho. Ainda não sei procurar abrigo quando o céu se abre num pranto. Ou quando a noite silencia o dia. Ainda não sei cuidar dos pés quando a terra fere a passada. Ou o cansaço entorpece o coração. Se já ousei pensar abandonar esta estrada? Oh… de joelhos e olhos postos na Tua graça. Quebrou-se tantas vezes a minha voz em desgraça, que ao lamento não tive resposta. Murmurei as palavras até ser de madrugada. E eis, então, que a força nasce com a aurora e traz a luz que me guia nesta estrada. Quantos desistiram de ti? Quantos te abandonaram na berma sem aviso? Ainda lamento pelos que fogem na emboscada. Pelos que se alargam na passada, porque a espera é uma demora. Há quem cruze o meu c...