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AMOR URGENTE

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  Amor áspero e espinhoso. Aquele com que me brindas ao fim da tarde. Secretos, dos lábios até às raízes, os beijos soam como cristal, chuva ou tiro de canhão. Queremos os dois este fogo vedado ao silêncio, mas fogem-te os meus passos, porque é louca esta paixão. A tua mão inquieta voa pelo aroma selvagem das roseiras a florir. Trazes-me o desassossego e o arrepio da voz, ofegante entre as finas camadas da noite. Até te provar, vou adiando o pecado de te amar dessa forma imperfeita, sustentando a pureza do corpo e da alma. Mas é a mente que tomas de assalto. Entras sem licença, trazendo a proposta de um beijo a arder nas tuas veias. E é nesse espaço sombrio que cedo ao teu propósito. Já tua, repouso o sono nos teus braços.   Amor silvestre e espontâneo. Aquele com que me desatinas a horas tortas. De olhos fechados, já perdida entre os sulcos do teu corpo, avolumam-se as carícias sobre o caos. A loucura é a casa do amor urgente. Que profunda doçura! Que tamanha suavida...

LÁPIS DE CERA

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  Que saudades da minha infância. Das horas coloridas, mesmo nos dias cinzentos. Da simplicidade da língua, dos laços, do afeto, do riso. Das luzes que empolgavam os meus olhos, fixos, como laranjas presas ao galho. Da folha de papel em branco, pronta a ser nova aventura. Encantar-me com as cigarras nas tardes ocas de verão. Em tudo achar um tesouro, mesmo quando nada era de valor. Encontrar arte num rabisco. Da ternura nas histórias da minha mãe. De rezar ao Anjinho da Guarda, de joelhos e mãos unidas junto ao coração. De acreditar. Sobretudo, da pureza para acreditar. Que saudades dos dias sem memória. Em que tudo era novo e de experimentar. De estrear as horas, a neblina e os fios de orvalho. Achar graça à arquitetura do vento, inquieto e difícil de agarrar. Descobrir o valor das expressões. Um sorriso é felicidade. Uma lágrima é dor. Achar poesia às ondas do mar. O vestido azul, o laço puro de cetim, o sapato de verniz. É dia de domingo, afinal. O cheiro da terra e do ...

AMOR LUZ

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  O amor que brilha na distância. Perdura na espessura do tempo, constrói-se, molda-se perante o deserto dos dias. Permanece acesa a estrela da esperança. Um dia voltas, e trazes as tuas mãos e os beijos que sonhei para a minha boca. Um dia o teu abraço é honesto. O teu olhar não se despede do meu. E o tempo não se desgasta. O amanhã não nasce de novo. Não há passado nem futuro. Só o instante a ditar a nossa sorte. Assim o amor, descobre a razão para existir tão fundo como a Lua. Tão longe como o sol. Tão denso que brilha na distância. Fecha-se na palma das mãos o esquecimento. Pasma-se a nossa memória. Ainda sei de cor os teus abraços e de salteado o teu sorriso. O teu colo é um novelo de afetos que vai desfiando a luz dos teus dedos. Quero-te assim, à ternura acostumado. Adiando a partida pelo fogo do beijo que inflamo. Desprezamos as horas que teimam em roubar o nosso espaço, como é tão frágil o mundo onde tudo passa. E pode voar o planeta, morrer os astros, que é de ap...